<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176</id><updated>2012-02-14T07:06:18.363-08:00</updated><category term='qualidade'/><category term='música'/><category term='raizes'/><category term='cultura'/><category term='80 anos de joão gilberto'/><category term='bossa nova'/><title type='text'>Zona Desconhecida</title><subtitle type='html'>onde a alma se parte em pedaços despidos da fumaça das horas é que o fogo queima a verdade</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-8963313659018107183</id><published>2011-07-21T14:02:00.000-07:00</published><updated>2011-07-21T14:02:48.714-07:00</updated><title type='text'>Antonina muito viva - uma animação</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-264721eeb44bf2c4" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D264721eeb44bf2c4%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331399526%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D4E1217A79564425DFF29DD58D7B9031811930C48.25A3D9973D5061249459F7DBB2BD03B4DD920C4E%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D264721eeb44bf2c4%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DZNjQ-SJlp9GLu6-R73gjb0qSzZA&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D264721eeb44bf2c4%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331399526%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D4E1217A79564425DFF29DD58D7B9031811930C48.25A3D9973D5061249459F7DBB2BD03B4DD920C4E%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D264721eeb44bf2c4%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DZNjQ-SJlp9GLu6-R73gjb0qSzZA&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-8963313659018107183?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/8963313659018107183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=8963313659018107183' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/8963313659018107183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/8963313659018107183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/07/antonina-muito-viva-uma-animacao.html' title='Antonina muito viva - uma animação'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-6601733144183463785</id><published>2011-06-16T16:36:00.000-07:00</published><updated>2011-06-16T16:44:36.540-07:00</updated><title type='text'>O barqueiro</title><content type='html'>Conto de Silzi Mossato publicado hoje no seu blog &lt;a href="http://lavemmaria.com.br/"&gt;Lá Vem Maria&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: rgb(255, 255, 255); font: normal normal normal 13px/19px Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; padding-top: 0.6em; padding-right: 0.6em; padding-bottom: 0.6em; padding-left: 0.6em; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;p&gt;Do barqueiro ninguém sabia o nome, se é que o tinha. Todos o conheciam, mas ignoravam sua história. Sabiam apenas que um dia, num ano distante, instalara ali sua barca e iniciara sua atividade. Desde então, se mostrava incansável. Começava o trabalho ainda com as estrelas no céu e seguia ao ritmo do rio até que o crepúsculo restaurasse o brilho das mesmas. Repetia o rito ininterruptamente, sem obedecer a quaisquer regras sociais ou religiosas que indicassem descansos regulares. Somente os percalços naturais o desviavam. Chuva torrencial e ventos fortes levavam-no ao ócio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://lavemmaria.com.br/wp-content/uploads/2011/06/barqueiro032.jpg" _mce_href="http://lavemmaria.com.br/wp-content/uploads/2011/06/barqueiro032.jpg"&gt;&lt;img class="alignleft size-medium wp-image-300" title="barqueiro03" src="http://lavemmaria.com.br/wp-content/uploads/2011/06/barqueiro032-300x225.jpg" _mce_src="http://lavemmaria.com.br/wp-content/uploads/2011/06/barqueiro032-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" style="border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; float: left; " /&gt;&lt;/a&gt;A natureza, dizia, deve ser sempre respeitada. O enfrentamento nunca favorece o desafiante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os moradores da região simplesmente aceitavam suas regras e usufruíam do beneficio oferecido. Com o tempo, desistiram das perguntas pessoais e se algum desavisado insistia, as respostas eram sempre evasivas. Mas, quando um dos embarcados desatava a falar de si, encontrava o melhor dos ouvintes. Bastava que alguém, atrapalhado com a vida, aproveitasse a travessia para desabafar que o barqueiro sorria levemente, franzindo o canto dos olhos e da boca. Depois, com voz mansa e monótona contava uma de suas histórias, com desfechos que costumeiramente causavam surpresa ao interlocutor. Histórias que pareciam sempre inéditas. Coloridas e belas, não definiam seu interprete como possuidor de uma imaginação excessivamente fértil ou de uma vida rica em experiências. Somente algumas de suas frases eram constantes. Melhor a dor que nada, dizia afável com o ouvinte. Cuide de sua dor com carinho, ela o faz vivo, completava em algumas ocasiões. Às vezes, quando algum sofredor resistia, o homem franzia os olhos, estendia largamente a boca e dizia: ser infeliz é uma escolha fácil. Difícil é estar satisfeito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E assim, desafiando os interlocutores ou apenas sendo solidário, o barqueiro, fazia da travessia sua vida. Ouvia dramas, pesadelos, histórias mórbidas e felizes; repetia suas frases e pronunciava conselhos e aproveitava a companhia das estrelas, águas e nuvens. As contemplou e apenas a elas contou seus desejos e sonhos. Fez do empenho uma rotina leve e harmoniosa, própria daqueles que não esperam chegar a qualquer outro destino.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Macon, poeta jovem, cheio de brilho e furor, chegou à barca numa tarde de chuva intensa e forte correnteza. O rio largo e sereno estava alterado. Passava feroz, carregando folhas, galhos ou qualquer outro elemento que ousasse tocar a água barrenta. Chegou apressado, ansioso para atravessar. De imediato interpelou o barqueiro, que sob um pequeno abrigo, aparentava contemplação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A barca está parada?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Está. É perigoso atravessar sob o temporal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Espera longa?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Impossível prever. Depende da duração e do volume da chuva. Para quem tem pressa, melhor seguir rio acima.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Na estrada barrenta?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A estrada é ruim e a pequena ponte oferece riscos, mas com cuidado chega-se ao outro lado em hora e meia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As respostas claras não foram suficientes. O poeta, inquieto, busca resolver a questão a seu modo. E seu modo não incluía enfrentar longo trecho de lama e sob chuva. Além de que, desconhecia o trajeto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sempre que chove a barca para?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Se é chuva forte...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mesmo quando é passageira?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Paro enquanto durar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- E se chover durante uma semana?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Espero.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- E as pessoas que precisam atravessar?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Usam a estrada. Demora, mas é mais seguro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Nunca atravessou com chuva?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Uma vez. Um menino ferido perdia sangue. Arrisquei. Travessia difícil, mas deu certo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Volumosas baforadas tiradas com prazer do charuto escuro intercalavam as falas do homem enquanto o rapaz levava as mãos aos cabelos escuros e grossos, as colocava nos bolsos da capa que cobria o corpo, estalava os dedos e retomava as perguntas. Sem delongas, o barqueiro tomou a rédeas da conversação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Compromisso urgente na vila?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não fico na vila. Retornar a cidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Alguém esperando?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O poeta gaguejou. Quis retrucar, dizer que não era da conta do homem. Respondeu a contragosto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- O editor me aguarda. Tenho um bom livro...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Huum, - resmungou, franzindo a testa. Sem cerimônia, voltou ao charuto, deixando o rapaz desconcertado. A urgência suplantava a razão e um matuto desconhecido apontava o desatino. Desconhecido e detestável. Mas não podia furtar-se ao fato de que com freqüência agia assim. O homem com seu charuto não esboçava denúncia ou repreensão. Satisfez a curiosidade e calou-se.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Macon, contaminado com silêncio do outro, cuidou de retirar a capa molhada. Pendurou o apetrecho num pequeno gancho e se acomodou num tronco que servia de banco. Esqueceu a pressa e descuidado, contemplou o estranho grisalho, rosto com rugas que mais pareciam marcas de riso que de velhice, porte ereto e mãos finas e longas. Homem distinto dos caboclos da região, segurava o charuto com elegância rara.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Um charuto?- perguntou o barqueiro, vendo-se observado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O poeta, que não avistara na região senão cachimbo e cigarros de palha, aceitou o oferecimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vicio?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Posso viver sem ele.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-Por que não pára?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não tenho motivo pra parar. E uma boa baforada aguça a meditação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Meditar é verbo desconhecido nessas paragens.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Comum é matutar. Ainda carrego marcas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Está ha pouco tempo na região?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O homem riu com estardalhaço. Depois, corrigindo a atitude, respondeu com cortesia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sequer lembro o ano cheguei.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Saudades de antes?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Dos lugares onde estive, guardo algumas imagens enfumaçadas, mais nada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mas os costumes permaneceram intactos?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O homem sorriu. A leveza com que termos e expressões engavetadas vinham à tona provocava diversão e incomodo. Longe ia o tempo das discussões ardentes, da ansiedade em expor a perplexidade frente ao mundo ilógico e injusto e da curiosidade veemente. O jovem recrutava o que havia doado ao rio, para que levasse em suas águas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Então, vai esperar? – arriscou o homem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Acha que seguindo pela estrada economizo tempo?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Tempo? Não. Não há como. Ele será sempre o mesmo, tenha você pressa ou não. Cada coisa a seu tempo e cada uma dura o que tiver que durar. Nem mais nem menos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Boa filosofia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Ou crença. Na minha o tempo desconhece pressa ou lentidão. Ele é tudo e não existe. Tudo e nada, simultaneamente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Macon desconfiava. Homem estranho. Não conhecia a luta travada fora dali, dia após dia. Não sabia da angústia de cada vitória, do esplendor de cada ganho. Tão longe das cidades não haveria de sonhar com sua medonha loucura. Mas não desejava uma discussão filosófica. Preferiu o silêncio ao embate.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O barqueiro atirou uma pedra à poça d’água e apontando para os círculos que alargavam sucessivamente, indagou:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Conhece o infinito?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O rapaz o olhou, esquivo. O outro, ignorando a reação, continuou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Quem vive o cotidiano das cidades, aprende a igualar o inigualável. Tempo e o dinheiro, prazer e gloria, vida e fama. Pois ali está. Quer vasculhar o tempo? É só sonhar. Nele pode-se ir e vir. Soltar-se e voar. Seguir e voltar e novamente ir. Nada de alucinante ou amedrontador. Apenas círculos, simultâneos, sucessivos e constantes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para o poeta, os círculos estavam adjetivados: devaneios de um solitário, que caberiam na poesia, mas não na guerra editorial ou na briga pelo espaço na vitrine das livrarias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Acha loucura?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sequer sabe de onde venho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Pura ilusão. O corpo conta o que vivemos, o que pensamos, o que sonhamos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A irritação talvez irrompesse em Macon, não fosse o rio de forte correnteza e água barrenta. O barqueiro o desnudava. Poderia contestar qualquer argumento racional, mas o outro assinalava o incontestável, ainda que despercebido. Procurou um xingamento, mas desistiu. Voltou ao silêncio. Fugiu do olhar invasivo atirando pedregulhos ao rio. Pra que enveredar por caminhos obscuros? Estava bem, desenrolando seus fios e construindo sua teia. Pra que mudar o rumo da vida? Atendia as pressões do editor, mas acumulava vitórias. Gostava do brilho das noites de autógrafos, das entrevistas e matérias nos jornais. Estava nas listas de melhores autores do ano, as vendas cresciam vertiginosamente e ele investia cada minuto naquilo que acreditava ser tudo que desejava. Pra que deixar que um insignificante desconhecido interferisse?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cansado dos pedregulhos e do movimento repetitivo, o poeta descansou, prendendo os olhos no outro. Inalterado, o homem continuava apanhando pequenas pedras e as atirando, uma a uma, na mesma poça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Feche os olhos. Experimente os círculos - sugeriu repentinamente, sem demonstrar grande interesse.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Macon obedeceu, ainda que não pretendesse entregar-se aos delírios. Afinal, que simples seriação de círculos poderiam provocar?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olhou fixamente para a poça, seguiu um e outro círculo, depois fechou os olhos. No escuro das pálpebras cerradas os círculos continuaram. Nasciam, alargavam, sumiam e, novamente nasciam, cresciam e sumiam. Pensamentos concretos impunham cotidiano, que entremeavam círculos que nasciam, alargavam e morriam.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Novo pensamento e após a interferência, novos círculos, repentinamente nascendo, infinitamente crescendo. Ao indicio de entrega, sobrepunha batalhas intermináveis, estratégias, vitórias. Mas a chuva de maior volume interferiu com seu ruído ininterrupto, repetitivo, relaxante. O percurso de cada pingo, da nuvem ao solo, da nuvem ao rio, da nuvem a poça d’água. Minúsculas ondas sendo formadas no torno. Nascendo, crescendo, deformando. Imediatamente, outro pingo, outra onda. Ondas circulares, pequenas. Ondas enormes, misturando-se a outras, minúsculas e novas. Ondas que se formavam rapidamente. Ondas que cresciam lentamente até perder a força. A velocidade nula. O tempo, desfigurado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O barulho de um trovão interrompeu a viagem e o poeta recobrou o controle. A frente, a chuva, caindo com verdadeira fúria enquanto o rio empurrava um amontoado de cascalho, sem qualquer dificuldade. Ao lado, o estranho permanecia sem abrir os olhos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Assustado com o devaneio?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O rapaz não respondeu. Fitou-o firmemente, mas não o definiu. Era excessivamente céptico para crer em bruxos ou feiticeiros. Estava intrigado demais para ignorá-lo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O barqueiro, abrindo os olhos, sorriu. Não contou nenhuma história, não proferiu nenhuma frase. Apenas sorriu e retomou o charuto. Macon o seguiu. Durante algum tempo nenhum palavra foi dita. Era só chuva, que de torrencial, fez-se amena. O vento ganhou leveza e o céu, luminosidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A chuva está parando. Talvez possamos atravessar - apressou o rapaz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Olhe bem. Veja a correnteza. Seria imprudência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Fosse prudente, não estaria aqui!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A voz do rapaz era baixa e o barqueiro, compreendendo que falava para si mesmo, não contestou. Macon retomava a própria trajetória. Buscara aquelas paragens movido pelo prazer. Não pelo simples prazer de estar ali e sim pela possibilidade de transformar a viagem em mais uma obra, em mais uma criação e talvez, em mais uma vitória. Antes de partir, traçara um roteiro semelhante a um círculo e estava para completá-lo. Matas virgens, plantações, criações de animais, e, principalmente, as pessoas dos lugarejos eram seu foco de atenção. O jeito de viver de cada um ia se transformando em literatura da melhor qualidade. Poemas, em sua maioria. As conversas de armazéns e botequins ou o vai-e-vem contínuo das pessoas logo habitariam as páginas de livros, jornais ou revistas. A obra completa seria dividida com o editor de faro infalível. Mas o rio e seu barqueiro retardavam o encontro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- O que parece empecilho, pode ser uma dádiva - voltou a interferir o homem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Dádiva?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A conquista inesperada. O salto que ignorava, mas que já pode dar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Um enigma?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Uma descoberta.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A estiagem trouxe a revoada de pássaros no céu que clareava. O barqueiro seguiu a revoada. No corpo quase inerte, sinais de profunda respiração.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Belos pássaros. Basta que a chuva os deixe, ganham o céu. Sábios pássaros. Sempre sabem como e quando, ir e vir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Macon o ouviu sem reagir. O homem retornou aos pássaros e a inércia. O rapaz pensou em seguir pela estrada, mas desistiu. Tomou o charuto. Entre uma tragada e outra, seguia os círculos de fumaça e entre círculos, os pássaros e os pensamentos. Outros círculos, o retorno dos pássaros, mais pensamentos e novos círculos e mais pássaros. Os pensamentos submergiram, o poeta esqueceu o charuto e segui as curvas das asas em suas trajetórias longas e livres. O ar inflou o peito, o corpo reagiu com leveza deixando os membros em suaves inclinações. Os músculos perderam o tônus, dando lugar ao vôo. Cerrou os olhos e entregue ao sonho, viveu o pássaro. No vôo via o rio e a mata desde o céu. Do alto, sobrevoou a si mesmo e desejando que os pés deixassem o chão, chamou: vem conhecer o infinito. Vem! É só desejo, sonho, entrega. Vem que é só o infinito, que ata e desata, transcende e amarra. Loucos e lúcidos, sensatos e disformes. Vem que é só dominar o ar, ir e voltar. Basta arriscar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Macon arriscou e descobriu o desejo de se jogar nas águas do rio, de emergir buscando o ar para os pulmões e retornar ao céu, completamente livre. Descobriu o desejo quase incontrolável de entregar-se ao amor, sem fazer qualquer pergunta. O limite entre entregar-se e perder-se era tênue demais, mas o pássaro pedia para continuar. Mas o vôo pareceu não ter direção e amedrontado, abriu os olhos e evitou as aves e o rio. Mais uma vez ocorreu-lhe caminhar rio acima. Talvez fosse mais prudente distanciar-se daquele homem e daquele lugar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Se for agora vai chegar ao anoitecer - disse-lhe o barqueiro, ainda imóvel.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não posso permanecer aqui&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Tenho acomodações para dois. Amanhã já não terá correnteza e poderemos atravessar ainda com o alvorecer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Como pode saber?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Já não há nuvens ao sul, de onde sopra o vento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Se o vento virar?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não há indícios.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O rapaz cedeu. Seria insano caminhar em estrada de lama até o anoitecer. Tomou a capa e a pequena bagagem e seguiu o anfitrião pela trilha que desembocou uma trilha, num caminho bem cuidado, ladeado por flores e pedras. Seguiram morro acima até o topo, onde uma pequena cabana feita em madeira bruta, plantada sobre meia dúzia de troncos grossos e irregulares, quebrava a paisagem. Um único vão, cortado por um pequeno balcão que marcava a cozinha. Um fogão à lenha, uma prateleira, poucas louças e panelas. Da varanda, no entanto, avistava-se o rio e o céu, atrelados a mata verde com focos coloridos de ipês de várias cores.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O poeta aproveitou o banho de água aquecida no fogão à lenha, experimentou o chá quente e comeu torradas com mel e queijo, esqueceu os temores e usufruir da quietude singular.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Difícil compreender como um homem urbano pode viver aqui.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O rapaz esperava resposta, mas o homem sequer balbuciou silaba. Soltou vagarosamente a fumaça presa nos pulmões.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não é daqui, nem de lugar semelhante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;À constatação não deixou brechas a fuga, então respondeu com singeleza.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- É natural que aponte que não sou homem dessas paragens. Não trabalho a terra incansavelmente, não interpelo o tempo pra que interrompa a chuva é incessante, nada armazeno para mim ou para outros. Mas também não desejo seu mundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- E o mundo dos lavradores?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Para viver como eles é necessário mais força que aquela a mim concedida. Por isso sou barqueiro e não produtor ou vaqueiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não tem desejo de voltar as cidades?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Para sobreviver em suas cidades necessitaria de boa dose de agressividade. Já não disponho de tanto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Macon dissecaria o homem, mas ele fez de todas as possíveis questões, uma só. E a respondeu lenta e preguiçosamente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Já não penso no lugar de onde vim nem naqueles por onde passei. Já não tenho um passado que me oriente ou um desejo que me conduza. É certo que fui jovem, afoito e presunçoso e que pensava dominar o conhecimento e a verdade. Mas a vida, tinhosa como é, fez com ficasse solto em seu balanço.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Esse balanço...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Se quer saber dele, é só sentir vento e ouvir o rio. Talvez encontre verdades que sequer vislumbramos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao silêncio imposto, o poeta não conseguiu transgredir. Deixou que o vento o tomasse para um passeio entre cheiros de flor e mato. O barulho do rio, semelhante à cantiga velha e gasta, carregou-o para a correnteza. Aos poucos, abandonou o companheiro e foi ter com as águas. Através de seu corpo transcorreu o rio. Da cabeça aos pés, jorrou, levando dores, medos e angústias. A impetuosidade cedeu à entrega. A curiosidade ao desejo. Viajou entre pedras, impulsionado pela correnteza. Foi resgatado pelo pássaro que habitou seu corpo. Levado ao céu, mergulhou, submergindo, para em seguida, voltar ao ar e novamente ao rio. Ao retornar não soube do tempo. Sem dizer palavra, buscou a cama preparada para ele. Adormeceu em seguida. Teve sonhos leves e bons.&lt;a href="http://lavemmaria.com.br/wp-content/uploads/2011/06/IMG_5519.jpg" _mce_href="http://lavemmaria.com.br/wp-content/uploads/2011/06/IMG_5519.jpg"&gt;&lt;img class="alignright size-medium wp-image-289" title="IMG_5519" src="http://lavemmaria.com.br/wp-content/uploads/2011/06/IMG_5519-300x224.jpg" _mce_src="http://lavemmaria.com.br/wp-content/uploads/2011/06/IMG_5519-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" style="border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; float: right; " /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O alvorecer estava presente quando foi acordado pelo barqueiro. Depois de um desjejum leve, o seguiu rumo à travessia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na barca, o silencio compactuado. Sobre as águas do rio calmo, reflexos tímidos do sol acompanhavam os navegantes. Na outra margem, já em terra firme, Macon olhou o companheiro e sorriu. Transformado, deixava os olhos falassem de sua emoção. Era hora de despedida e o barqueiro atreveu-se a perguntar-lhe o nome.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Macon - respondeu-lhe o rapaz. No rosto do barqueiro apontou palidez descabida, mas ele a ignorou e sorrindo, fez de um aceno sua despedida. Antes de partir, ainda cravou os olhos no poeta. Curto instante no qual viu seus próprios olhos, seus afetos sua história. Voltou a sorrir, saudando a vida, seu balanço e suas artimanhas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De uma das margens Macon, o poeta, partiu certo de que olharia a vida com olhos de pássaro. Da outra, Macon, o barqueiro, seguiu, rumo a cabana vazia. Não voltou ao rio. Os dias seguiram e ninguém ouviu suas histórias ou suas frases. Também não viram seu sorriso nos cantos dos olhos e da boca. Diziam que havia adoecido. Ele, no entanto, espreitava quieto e cauteloso, o jogo da vida e seu delicioso risco.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Noites de inércia e deleite devam lugar à prolongadas vigílias enquanto sessões de autógrafos, o rosto nos jornais, pessoas e emoções até então esquecidas, tomavam o lugar dos pássaros e do rio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A lua cheia era revivida quando um novo barqueiro substituiu o velho Macon. Dele, soube-se apenas que havia partido. Diziam alguns que fora em busca de antigos lugares e pessoas que insistiam em povoar seus sonhos. Outros insistiam que o dono da travessia, enveredara por antigos caminhos a procura de um jovem de nome igual ao seu. Desejava desvendar-lhe o feitiço.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/blog_this.pyra?t=&amp;amp;u=http%3A%2F%2Flavemmaria.com.br%2F&amp;amp;n=L%C3%A1+Vem+Maria"&gt;&lt;/a&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-6601733144183463785?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/6601733144183463785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=6601733144183463785' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/6601733144183463785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/6601733144183463785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/06/o-barqueiro.html' title='O barqueiro'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-7016626516999247449</id><published>2011-06-14T13:26:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T13:30:11.664-07:00</updated><title type='text'>Queremos Taiguara de volta!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ftnlgOrPKME/TffEmfaEexI/AAAAAAAADr0/-MN0-rA4cYY/s1600/taiguara%2B-%2Bimyra%252C%2Btayra%252C%2Bipy%252C%2Btaiguara.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 294px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-ftnlgOrPKME/TffEmfaEexI/AAAAAAAADr0/-MN0-rA4cYY/s320/taiguara%2B-%2Bimyra%252C%2Btayra%252C%2Bipy%252C%2Btaiguara.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618175225712900882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: 13px; line-height: 19px; "&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fruto de uma união de talentos poucas vezes visto na historia da MPB e considerado até os dias de hoje uma inovadora obra prima, o Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara é um importantíssimo patrimônio cultural Brasileiro. Mas não está disponível no Brasil e nunca foi gravado em CD – só em sites no exterior - porque a fita máster foi parar nas mãos de uma gravadora japonesa que detém ainda os direitos autorais sobre a obra. Imyra Chalar da Silva, filha de Taiguara, lançou em 2004, se não me engano, uma campanha de repatriamento da obra. Mas o próprio site oficial onde se poderia participar da campanha foi descontinuado e Imyra prossegue com a reivindicação através do Orkut e do Facebook.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="mceTemp"&gt;&lt;dl id="attachment_172" class="wp-caption alignleft" style="width: 145px;"&gt;&lt;dt class="wp-caption-dt"&gt;&lt;a href="http://erlyricci.files.wordpress.com/2011/06/imyra.jpg"&gt;&lt;img class="size-thumbnail wp-image-172" title="Imyra" src="http://erlyricci.files.wordpress.com/2011/06/imyra.jpg?w=135" alt="" width="135" height="150" style="border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; " /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/dt&gt;&lt;dd class="wp-caption-dd" style="font-size: 11px; line-height: 17px; padding-top: 0px; padding-right: 4px; padding-bottom: 5px; padding-left: 4px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; "&gt;Imyra Chalar da Silva, filha de Taiguara, que hoje mora em Miami, e coordena a campanha de repatrimento do disco&lt;/dd&gt;&lt;/dl&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;Eu tive a chance de comprar o disco em 1976, antes de ser recolhido pela censura, e tenho até hoje as músicas todas gravadas em MP3. Uma das músicas do disco que mais me marcou foi “situação”, música cuja letra talvez seja o prenúncio de seu destino :&lt;br /&gt;Não, não adianta não&lt;br /&gt;A situação já está fora das suas mãos&lt;br /&gt;Nao, não adianta não&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como é que você vai me dar&lt;br /&gt;o que já é meu&lt;br /&gt;Como é que você vai criar&lt;br /&gt;o que já nasceu&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como é que você resolveu&lt;br /&gt;que eu sou livre,&lt;br /&gt;Agora você esqueceu&lt;br /&gt;Que só quem pode me libertar&lt;br /&gt;sou eu&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voce diz que esse é o tempo&lt;br /&gt;da vida se distender&lt;br /&gt;Mas quem faz primavera é o inverno&lt;br /&gt;nao e você&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Volta sempre um momento na história&lt;br /&gt;em que mais um império deixou de ser&lt;br /&gt;Pois assim é o futuro p'ra nos&lt;br /&gt;Só o que você vai mesmo fazer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É sair ou deixar eu me abrir&lt;br /&gt;e deixar tudo acontecer&lt;br /&gt;É sair ou deixar eu me abrir&lt;br /&gt;e deixar tudo acontecer&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A trajetória de Taiguara, um de nossos maiores compositores, carrega toda uma história de perseguição e boicote nas mãos da ditadura militar, quem recolheu o disco das prateleiras apenas 72 horas após o lançamento. No ano de 1976, este trabalho foi censurado e nunca mais disponibilizado em nossa terra. Em 2002, o disco foi lançado exclusivamente no mercado Japonês, tornando-se disponível para compra apenas em sítios estrangeiros. O reconhecimento internacional de nossas riquezas sempre será algo positivo, porem não é justo que o próprio Brasileiro tenha difícil acesso a uma parte tão importante de sua herança cultural.&lt;br /&gt;Sobre o disco escreveu &lt;a href="http://camarilhadosquatro.wordpress.com/2009/04/29/taiguara-imyra-tayra-ipy-taiguara-1976-emiodeon-brasil/"&gt;Thiago Filardi&lt;/a&gt;: ”Imyra é fruto de um período muito específico da nossa história, e mais ainda da história de Taiguara: o Brasil ainda vivia uma ditadura, apesar de mais branda que anteriormente, e o músico vivenciava uma perseguição implacável pela censura. Após inúmeras canções vetadas, um auto-exílio e um projeto abortado, era quase impensável que ele apostasse todas as forças num projeto tão grandioso e corajoso, que além de despender muito dinheiro com horas de estúdio, uma orquestra inteira e mais dezenas de músicos, era ainda mais virulento nas suas críticas ao governo, o que não significa que seja panfletário; ao contrário, Taiguara faz uso corrente da ironia e da metáfora e só é mais direto quando canta em espanhol (“Ay, Hermana/Qué hasta que el dia ese llegue/Tu no te canses, no mueras/Sin callas todas lãs represiones”).&lt;br /&gt;Apesar de toda a complexidade melódica, harmônica e conceitual que envolve Imyra, não é difícil traçar suas influências e contextualizá-lo dentro daquele período, em que a música brasileira passava por grandes renovações estéticas, a exemplo da música livre praticada por Hermeto Pascoal (figura importantíssima para a configuração sonora deste LP), Egberto Gismonti e do pop/rock idílico, mas extremamente sofisticado do Clube da Esquina. Foi importante também para a concepção do tema, o livro Quarup, de Antônio Callado, de onde Taiguara tirou os nomes Imyra (a volta aos verdes musgos da infância), Tayra (o sêmen do tempo no ventre do universo) e Ipy ( o velho e o novo diante do infinito comum). É possível, portanto, esboçar um painel musical e ideológico que serviu de base para o conteúdo e estrutura cabalísticos do álbum, que incluem a fixação pelo número 7 (os dois lados divididos em sete canções, a faixa “Sete Cenas de Imyra”, e que também possui o andamento 7/8), a própria letra incompreensível de “Sete Cenas de Imyra” e as experimentações sonoras realizadas através de manipulações com fita, emulando sons da natureza e flertando com a música concreta – nesse ponto, a intervenção de Hermeto é mais que perceptível.&lt;br /&gt;Seria injusto, entretanto, qualificar o valor da obra a Hermeto Pascoal (como já fizemos no disco Orós” de Fagner) e aos músicos de quilate que participaram da gravação, como Wagner Tiso (produção e regência de orquestra), Toninho Horta (violão), Jacques Morelenbaum (violoncelo), Lúcia Morelenbaum (harpa), Zé Eduardo Nazário (bateria e percussão), Nivaldo Ornellas (sax soprano, tenor e flauta), J.T. Meirelles e Ubirajara Silva, que toca bandoneon em “Primeira Bateria”. Todas as composições são de Taiguara, que além de cantar, toca piano, sintetizador e mellotron, assim como assina os arranjos e orquestrações ao lado de Hermeto. É claro que se o último não estivesse presente, o álbum não teria o mesmo teor experimental e as melodias talvez não fossem tão ricas, como assustadoramente são – e em certos fraseados lembram bastante o estilo veloz e altamente complexo de Hermeto justapor notas. Mas notemos a interpretação brilhante do cantor em “Sete Cenas de Imyra” que alterna, na distância de uma estrofe, um registro gravíssimo e outro extremamente agudo, ambos incômodos para qualquer vocalista. Ou então basta analisar Imyra faixa por faixa, para notar como Taiguara não só domina perfeitamente todas as nuances dos registros vocais, como passeia com segurança por diversos gêneros musicais, aos quais confere muita riqueza melódica. Tem bossa nova (“Terra das Palmeiras”), samba-canção (“Situação”), marchinha (“Primeira Bateria”), baião (a versão para “Três Pontas” de Milton e Ronaldo Bastos), além de elementos de jazz, rock e samba presentes em todas as músicas.&lt;br /&gt;Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara não só trabalha com muitas referências como subverte algumas delas. É o exemplo de “Terra das Palmeiras”, na qual a citação à “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias é evidente (“Sonhada terra das palmeiras/Onde andará teu sabiá?”). Contudo, a citação mais genial do disco é a de “Aquarela de um País na Lua”, que pelo nome já remete à “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso. Taiguara e Hermeto partem da célula melódica mais famosa da última para construírem um fraseado belíssimo, que servirá de melodia principal à faixa. Nesse momento, discurso sonoro e político andam juntos, pois se o intuito é desmantelar a velha noção nacionalista e romântica de Ary Barroso em plena ditadura militar, nada mais apurado que fazê-lo ao desconstruir e recontextualizar um de seus temas melódicos mais notórios.&lt;br /&gt;No final, em “Outra Cena”, com a voz de Taiguara acompanhada apenas pelo piano, ele termina cantando “Só não sofreu quem não viu/Não entendeu quem não quis…”, o que nos lembra que seu companheiro Hermeto lançou, doze anos depois, um disco chamado Só Não Toca Quem Não Quer. Sobre Imyra, Tayra, Ipy e Taiguara, podemos afirmar que, apesar de não ter sido relançado no Brasil até hoje, existem as facilidades da internet e só não ouve esta pérola – resultado de uma confluência de gênios, mas catalisada por um só – quem não quer”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A campanha de repatriamento é um apelo a gravadora para disponibilizar esta obra na sua terra natal. Ao aderir, você estará contribuindo em defesa da preservação de nossa cultura, e assim, cumprindo um dever cívico para cada Brasileiro que se orgulha de suas raízes. Agradecemos sua cooperação e esperamos poder contar com o auxilio de cada um de vocês para a divulgação de nossa campanha entre amigos, familiares, espaços virtuais e publicações relevantes a projetos culturais.&lt;br /&gt;Taiguara Chalar da Silva (Montevidéu, 9 de outubro de 1945 - São Paulo, 14 de fevereiro de 1996) foi um cantor e compositor Brasileiro, embora nascido no Uruguai durante uma temporada de shows de seu pai, o Bandoneonista e Maestro Ubirajara Silva.&lt;br /&gt;Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949 e para São Paulo, posteriormente, em1960. Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Participou de vários festivais e programas da TV. Fez bastante sucesso nas décadas de 60 e 70. Autor de vários clássicos da MPB, como Hoje, Universo do teu corpo, Piano e viola,Amanda, Tributo a Jacob do Bandolim, Viagem, Berço de Marcela, Teu sonho não acabou, Geração 70 e "Que as Crianças Cantem Livres"; entre outros.&lt;br /&gt;Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militarbrasileira, Taiguara foi um dos compositores mais censurados na historia da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas. Os problemas com a censura eventualmente levaram Taiguara a se auto-exilar na Inglaterra em meados de 1973. Em Londres, estudou no Guildhall School of Music and Drama e gravou o Let the Children Hear the Music, que nunca chegou ao mercado, tornando-se o primeiro disco estrangeiro de um brasileiro censurado no Brasil.&lt;br /&gt;Em 1975, voltou ao Brasil e gravou o Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara com Hermeto Paschoal, participação de músicos como Wagner Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Jacques Morelenbaum, Novelli, Zé Eduardo Nazário, Ubirajara Silva e umaorquestra sinfônica de 80 músicos. O espetáculo de lançamento do disco foi cancelado e todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar em poucos dias. Em seguida, Taiguara partiu para um segundo auto-exílio que o levaria à África e àEuropa por vários anos.&lt;br /&gt;Quando finalmente voltou a cantar no Brasil, em meados dos anos 80, não obteve mais o grande sucesso de outros tempos, muito embora suas músicas de maior êxito tenham continuado a serem relembradas em flashbacks das rádios AM e FM.&lt;br /&gt;Faleceu em 1996 devido a um persistente câncer na bexiga.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Discografia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Discografia (Parcial)&lt;br /&gt;1965 - Taiguara! - Philips - LP&lt;br /&gt;1966 - Crônica da Cidade Amada - Philips - LP&lt;br /&gt;1966 - Primeiro Tempo 5x0 - Philips - LP&lt;br /&gt;1968 - O Vencedor de Festivais - Odeon - LP&lt;br /&gt;1968 - Taiguara - Odeon - LP&lt;br /&gt;1969 - Hoje - Odeon - LP&lt;br /&gt;1970 - Viagem - Odeon - LP&lt;br /&gt;1971 - Carne e Osso - Odeon - LP&lt;br /&gt;1972 - Piano e Viola - Odeon - LP&lt;br /&gt;1973 - Fotografias - Odeon - LP&lt;br /&gt;1974 - Let The Children Hear The Music - KPM-EMI - LP&lt;br /&gt;1975 - Imyra, Tayra, Ipy - EMI-Odeon - LP&lt;br /&gt;1981 - Porto de Vitória / Sol do Tanganica - Alvorada-Continental - Compacto simples&lt;br /&gt;1984 - Canções de Amor e Liberdade - Alvorada-Continental - LP&lt;br /&gt;1994 - Brasil Afri - Movieplay – CD&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comunidade no Orkut&lt;/strong&gt;: http://www.orkut.com/Community?cmm=6412859&amp;amp;hl=pt-BR&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No Facebook&lt;/strong&gt;: http://www.facebook.com/pages/Imyra-Tayra-Ipy-Taiguara-Album-vetoedRepatriamento-do-disco-censurado/271469219151&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-7016626516999247449?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/7016626516999247449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=7016626516999247449' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7016626516999247449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7016626516999247449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/06/fruto-de-uma-uniao-de-talentos-poucas.html' title='Queremos Taiguara de volta!'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ftnlgOrPKME/TffEmfaEexI/AAAAAAAADr0/-MN0-rA4cYY/s72-c/taiguara%2B-%2Bimyra%252C%2Btayra%252C%2Bipy%252C%2Btaiguara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-7236690168622120087</id><published>2011-06-10T14:40:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T14:40:14.682-07:00</updated><title type='text'>Rumo a uma Marcha Nacional da Liberdade</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/08/rumo-a-uma-marcha-nacional-da-liberdade/"&gt;Rumo a uma Marcha Nacional da Liberdade&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', Times, serif; font-size: 12px; line-height: 18px; "&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: italic; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; "&gt;Somos todos indignados? Debate nesta quinta-feira procura articular coletivos jovens que propõem novas pautas emancipatórias – e não querem ser tratados com gás-pimenta e tasers&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;Por &lt;strong style="font-weight: bold; "&gt;Antonio Martins&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;–&lt;br /&gt;&lt;span style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(0, 128, 128); "&gt;&lt;strong style="font-weight: bold; "&gt;Marcha Nacional da Liberdade: &lt;/strong&gt;18/6 (Sábado), em dezenas de cidades brasileiras:&lt;a href="http://www.marchadaliberdade.org/2011/06/a-marcha-pelo-brasil/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;Localize e participe&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;span style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(0, 128, 128); "&gt;&lt;strong style="font-weight: bold; "&gt;Debate: Violência policial na periferia e armamento “menos letal” em manifestações&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;span style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(0, 128, 128); "&gt;&lt;strong style="font-weight: bold; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quinta-feira (9/6), às 19h.&lt;/span&gt; Veja vídeos abaixo e o texto na sequência&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;:&lt;object id="twitcamPlayer" width="320" height="265" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; visibility: visible; "&gt;&lt;embed name="twitcamPlayer" src="http://static.livestream.com/grid/LSPlayer.swf?hash=57llm" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" bgcolor="#ffffff" width="320" height="265" wmode="window" style="visibility: visible; "&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;object id="twitcamPlayer" width="320" height="265" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; visibility: visible; "&gt;&lt;embed name="twitcamPlayer" src="http://static.livestream.com/grid/LSPlayer.swf?hash=57ohz" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" type="application/x-shockwave-flash" bgcolor="#ffffff" width="320" height="265" wmode="window" style="visibility: visible; "&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;“Violência policial na periferia e ‘armamento menos letal’ em manifestações”. Com um debate sobre este tema [veja dados acima], um conjunto de coletivos jovens estabelecidos em São Paulo – mas com laços nacionais – lançou nesta quinta-feira (9/6), um esforço que pode contribuir para propagar no Brasil uma nova cultura política. Convencidos de que é preciso superar o capitalismo, os organizadores não cabem, contudo, na imagem tradicionalmente associada à esquerda. Acreditam que política se faz principalmente por meio de opções quotidianas. Valorizam a diversidade. Articulam-se (com eficácia crescente) de modo horizontal.&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;Os coletivos defendem, entre outras causas, o passe livre no transporte coletivo (&lt;a href="http://saopaulo.mpl.org.br/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;Movimento do Passe Livre-MPL&lt;/a&gt;), a legalização de drogas hoje ilícitas (&lt;a href="http://coletivodar.org.br/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;Desentorpecendo a Razão-DAR&lt;/a&gt;), o apoio aos movimentos sociais (&lt;a href="http://opaymbere.wordpress.com/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;Aymberê&lt;/a&gt;), a produção cultural independente, difundida por circuitos não-mercantis (&lt;a href="http://www.foradoeixo.org.br/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;Fora do Eixo&lt;/a&gt;). Juntos, conceberam e realizaram com êxito, em 28 de junho, a Marcha da Liberdade [ver &lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2011/05/31/sao-paulo-a-cor-da-liberdade/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;relato&lt;/a&gt; em &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: italic; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; "&gt;Outras Palavras&lt;/em&gt;], em São Paulo. Agora, querem dar-lhe caráter mais amplo. Em 18 de junho, 33 cidades preparam atividades de rua que, juntas, comporão a &lt;a href="http://www.marchadaliberdade.org/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;Marcha Nacional da Liberdade&lt;/a&gt; – construída tanto em reuniões presenciais quanto numa &lt;a href="http://www.marchadaliberdade.org/2011/06/a-marcha-pelo-brasil/" target="_blank" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;página própria&lt;/a&gt; no Facebook.&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;Por trás da novidade, há dois processos simultâneos. Existentes há vários anos, os coletivos acima – e diversos outros, que compartilham pontos de vista e formas de organização semelhantes – têm alcançado, nos últimos meses, poder de convocação surpreendente. Em janeiro, uma indignação que se difundiu via net reuniu centenas de adolescentes, numa série de manifestações contrárias ao fechamendo do Cine Belas Artes. No mês seguinte, começaram os protestos contra o aumento das passagens de ônibus, que atraíram participação inédita e tiveram fôlego para se estender por muitas semanas. A partir de maio, uma sequência impressionante: “&lt;a href="http://blogladob.com.br/geral/churrasco-gente-diferenciada-foi-um-sucesso-de-publico-e-de-cidadania/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;churrasco&lt;/a&gt; de gente diferenciada” (14/5), para exigir a construção de uma estação de metrô rejeitada por uma minoria influente no bairro de Higienópolis; marcha pela &lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2011/05/25/aqui-tramamos-a-marcha-da-liberdade/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;legalização&lt;/a&gt; da maconha (21/5); marcha da &lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2011/05/31/sao-paulo-a-cor-da-liberdade/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;liberdade&lt;/a&gt; (28/5) e “&lt;a href="http://altamiroborges.blogspot.com/2011/06/marcha-das-vadias-repudia-o-cqc.html" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;marcha das vadias&lt;/a&gt;”, pela liberdade sexual e contra o machismo.&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;Todas estas manifestações, que reuniram entre várias centenas e alguns milhares de pessoas, foram organizadas de forma não-convencional. O convite partiu de indivíduos (como no “churrasco”) ou coletivos. Partidos políticos, embora bem recebidos em todas as ocasiões, tiveram papel discreto. A horizontalidade estendeu-se à ausência de carros de som e de oradores oficiais. Em sua nova “arquitetura”, os atos oferecem a cada participante ou grupo amplas condições de manifestar suas causas (por meio de cartazes, faixas, refrões). Mas nenhum está autorizado a se sobrepor aos demais.&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;O segundo motivo que impulsiona a Marcha Nacional da Liberdade é a necessidade de inibir a repressão. As novas manifestações estão sendo confrontadas por uma selvageria policial que não se via desde a ditadura militar. São Paulo destaca-se de novo – aqui, por reacionarismo. Na maioria dos protestos contra o aumento das tarifas de ônibus, e na marcha pela legalização da maconha, a polícia usou, contra manifestantes pacíficos, armas (balas de borracha, gás pimenta, bombas de “efeito moral”) e métodos (espancamentos brutais) típicos de quem procura desmobilizar pelo terror. As sensações de cerceamento à liberdade e retrocesso institucional foram agravadas por um comportamento do Ministério Público estadual incompatível com a democracia. Promotores que deveriam encarregar-se do combate ao crime organizado acostumaram-se a requerer da Justiça, por meio de&lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2011/05/28/como-eles-rasgam-a-constituicao/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;estratégias esdrúxulas&lt;/a&gt;, liminares que foram usadas como pretexto para a violência.&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;Denunciar e desarmar a volta da repressão parece ser estratégico para os novos movimentos. É por isso que o debate desta quinta-feira – o primeiro, em preparação à Marcha Nacional da Liberdade, procura abordar a brutalidade da polícia. Ao fazê-lo, introduz uma novidade: os organizadores querem ir além da denúncia, conforme explica Gabriela Moncau, do Coletivo Dar. “Estamos interessados em assegurar a liberdade de expressão. Queremos lutar por um dispositivo legal que proíba o uso, pela polícia, das ‘armas menos letais’, contra manifestações pacíficas”. Ela lembra que, além dos dispositivos já empregados contra as marchas recentes, a PM já adquiriu (em São Paulo e outros Estados) os chamados &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: italic; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; "&gt;tasers –&lt;/em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Armas_de_eletrochoque" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;armas de eletrochoque&lt;/a&gt; que paralisam instantaneamente, afetam o sistema nervoso central e podem, comprovadamente, levar à morte.&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;Embora ainda não haja uma agenda futura consolidada, os debates devem continuar, após o pontapé inicial de amanhã. André Takahashi, do Aymberê, sugere que os coletivos examinem, nos próximos dias, o Projeto de Lei (PL-)222, que pune a discriminação de homossexuais. Propõe ainda uma reflexão mais ampla sobre as rebeliões da juventude – “em especial o &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: italic; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; "&gt;Democracia Real Ya&lt;/em&gt;! da Espanha e o movimento global que vimos surgir com as revoluções nos paises árabes”.&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;Se este diálogo inter-coletivos se estabelecer, é provável que dois temas migrem para o centro das preocupações. O primeiro é a amplitude social dos novos movimentos. A onda de manifestações vivida em São Paulo está, até o momento, restrita quase exclusivamente à classe média. Mas isso &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: italic; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; "&gt;não &lt;/em&gt;revela tendência ao elitismo. Embora o cenário brasileiro seja muito distinto aos do &lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2011/03/03/rebeldes-com-causas-mas-sem-lideres/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;Egito&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://www.outraspalavras.net/2011/06/05/15m-redes-e-assembleias-por-antonio-negri/" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; color: rgb(184, 19, 19); text-decoration: none; "&gt;Espanha&lt;/a&gt; (o que é assunto para outro texto), a disposição para multiplicar relações, entre a sociedade parece manifestar-se também nos grupos brasileiros. Isso está explícito na própria proposta do Aymberê — que, aliás, busca ativamente abrir-se além da juventude. Também aparece, com intensidade crescente, no site do Coletivo Dar – onde se destaca, nos últimos dias, um texto em solidariedade à greve reprimida dos bombeiros do Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(51, 51, 51); margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.25em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; vertical-align: baseline; line-height: 1.5em; "&gt;Um segundo assunto palpitante é a relação entre novas lutas e projetos contra-hegemônicos de sociedade. Para gente como Gabriela Moncau, é uma discussão necessária. “Um dos desafios da esquerda é dialogar com quem não compõe seus guetos. Vejo-me como alguém anticapitalista. Mas penso que os novos projetos de emancipação podem ser tecidos sem unificar artificialmente pautas. Sou a favor de estabelecer diálogos, e buscar confluências naturais, baseadas em novos valores, lógicas e formas de estar no mundo”, diz ela.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-7236690168622120087?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.outraspalavras.net/2011/06/08/rumo-a-uma-marcha-nacional-da-liberdade/' title='Rumo a uma Marcha Nacional da Liberdade'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/7236690168622120087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=7236690168622120087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7236690168622120087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7236690168622120087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/06/rumo-uma-marcha-nacional-da-liberdade.html' title='Rumo a uma Marcha Nacional da Liberdade'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-6224627311372352142</id><published>2011-06-10T14:07:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T14:28:15.173-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='80 anos de joão gilberto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bossa nova'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='raizes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='qualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Raízes da Bossa Nova</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/ObGGjcyq2uM" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Nesta sexta-feira, 10 de junho, o Brasil celebra os 80 anos de João Gilberto, criador, ao lado de Tom Jobim (1927-1994), da bossa nova, a mais importante e influente manifestação da música popular brasileira no século 20. Em pleno aniversário do cantor e mais de duas décadas depois da publicação do livro &lt;em&gt;Chega de saudade - A história e as histórias da bossa nova&lt;/em&gt;, de Ruy Castro, (Companhia das Letras, 1990), Minas Gerais reivindica para si a parte que lhe toca na trama, desde que o cantor, compositor e violonista, nascido em Juazeiro, na Bahia, resolveu passar temporada na casa da irmã, Maria da Conceição Oliveira, a Dadainha, na Diamantina de meados dos anos 1950. “Depois que li o livro do Ruy, em que ele fala que João não saía de casa e não se relacionava com ninguém na cidade, me senti incomodado”, protesta o professor, músico e escritor Wander Conceição, empenhado na publicação de um livro sobre o tema. “Acho que a cidade tem de resgatar essa história e acabei assumindo a empreitada”, diz.&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Além do provável nascimento da célebre batida do violão de João Gilberto na cidade mineira, destacada pelo próprio Ruy Castro em seu livro, Wander diz que pretende provar que o estado, então governado pelo diamantinense e futuro “presidente bossa nova” Juscelino Kubitschek (1902-1976), contribuiu para o surgimento e enriquecimento do movimento responsável pela divulgação da música popular brasileira mundo afora. “Para isso, é necessário contextualizar Diamantina desde a época do compositor José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746-1805) - que com a crise da mineração se mudou para o Rio de Janeiro -, até 1956, quando João passou pela cidade”, justifica o professor, cuja pesquisa está a pleno vapor. Ele já entrevistou cerca de 40 pessoas sobre a passagem de João pela cidade, reafirmando a tese de que, desde aquela época, o baiano já sabia onde queria chegar.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;O compositor Pacífico Mascarenhas também não oculta o orgulho de ter encontrado João em plena Diamantina dos anos 50. “Fui eu quem falou para o Ruy Castro sobre a passagem dele pela cidade. Lá ninguém sabia que se tratava de João Gilberto, que ainda nem era conhecido no Brasil”, observa o compositor. &lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;&lt;strong&gt;De Juazeiro para o mundo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Vocês ainda vão me ouvir no rádio e na TV”, teria dito várias vezes João Gilberto aos que com ele conviviam em Diamantina, em 1956. Do famoso &lt;em&gt;footing&lt;/em&gt; nas capistranas (pedra do meio no calçamento pé de moleque, característico das regiões coloniais) à casa onde viveu com a irmã e o cunhado Péricles Rocha de Sá, engenheiro-chefe da Cia. Mineira de Obras, o historiador Wander Conceição quer esclarecer detalhes da passagem do jovem músico pela cidade. Para isso vem conversando com muitos moradores antigos da cidade, recolhendo histórias reveladoras.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Na entrevista concedida a ele por Vitalino Alves Baracho, que já faleceu, o contador, que morava no pavimento superior da casa da irmã de João, diz que muitas vezes, diante do acúmulo de serviço, tinha de trabalhar à noite mas não conseguia por causa do “treinamento” do músico baiano. "João Gilberto ficava tocando no quartinho, ao lado do banheiro. E era um pim, pim, pim, pim, pim, numa cordinha só. De madrugada, moço! Enfiava hora e hora! Eu na cama, sentado, e ele lá embaixo não parava!”, protestou Vitalino, que dizia à mulher Eni que João era doido. “Não é possível! Isso são horas? Se ainda pelo menos fosse um violão bem tocado!”, reclamava o contador. Já Leon Horowits, filho de família carioca que também foi morar na cidade na mesma época, detinha a maior discografia de jazz de Diamantina, que acabaria atraindo a atenção do baiano.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;“Um sujeito extremamente inteligente e educado. Um filósofo, um verdadeiro gentleman”. Assim se refere a João Gilberto a maioria dos entrevistados do professor. De acordo com Wander, desde aquela época João também já dizia para os mais próximos que ele queria levar para a música a dissonância da poesia de Carlos Drummond de Andrade. A história de João Gilberto em Minas Gerais, aliás, vai além de Diamantina. Na cidade colonial, o baiano também conheceu o compositor Pacífico Mascarenhas. A amizade dos dois acabaria se estendendo a Belo Horizonte, onde, já com o primeiro disco gravado, João conheceria ainda Roberto Guimarães, autor de &lt;em&gt;Amor certinho&lt;/em&gt;, que ele gravou no disco &lt;em&gt;O amor, o sorriso e a flor&lt;/em&gt;, de 1960. “Acho que o João gostou de mim por causa de meu jeito mais tímido”, afirma Guimarães, cujo último contato com o amigo ocorreu por telefone. “Eu na recepção do hotel em que ele estava hospedado na cidade e ele no quarto”, diverte-se o compositor, admitindo que aos gênios tudo se perdoa.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Pacífico Macarenhas atualmente veicula no YouTube o registro de composição de sua autoria,&lt;em&gt;Pouca duração&lt;/em&gt;, na voz de João. “Trata-se de uma gravação caseira, de 1959”, recorda. Ele explica que a música só não foi oficialmente lançada em disco pelo cantor baiano porque a mulher dele na época, Astrud Gilberto, manifestou desejo de gravá-la, o que acabou não ocorrendo. Fundador do quarteto Sambacana, que chegou a lançar disco pela EMI-Odeon com suas composições, Pacífico acabaria introduzido nas célebres reuniões da bossa nova, no Rio de Janeiro, na casa do pianista Bené Nunes, ao lado de músicos como Roberto Menescal, Sérgio Ricardo e Luiz Bonfá, entre outros.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;&lt;strong&gt;O cantor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para o músico, linguista e professor Luiz Tatit, é necessário situar o momento em que João Gilberto surge na cena musical – década de 1950, quando o canto era extremamente retórico, romântico e passional – para entender a escola do gênero criada pelo cantor. “Como, naquele momento, os estudantes – então os grandes consumidores de disco – se afastavam do meio, como se a música fosse uma espécie de novela mexicana, João procurava a canção objetiva. Ou seja, ele procurava extrair os excessos para ficar apenas com os núcleos: a dissonância do violão, a melodia oscilando em poucas ou até mesmo em torno das mesmas notas”, explica Tatit.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;“Como nesse processo os acordes (harmonias) mudam, dá impressão de que é a melodia que está mudando”, acrescenta o professor, para justificar a voz de João como se fosse a própria fala. “A bossa nova promove a decantação. O objetivo dela é o enxugamento”, reforça o ideal do movimento criado pelo artista baiano, lembrando que João Gilberto acabaria fazendo o mesmo com a letra de música, também, ao promover quase que um retorno ao registro infantil de letra. “Exemplo disso são &lt;em&gt;O pato&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Lobo bobo&lt;/em&gt; e até o disco &lt;em&gt;O amor, o sorriso e a flor&lt;/em&gt;, que quase vira um slogan da bossa”.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;O traço de delicadeza que acabou responsável pela passagem para uma nova estética musical, segundo Luiz Tatit, não ficou reduzido a João Gilberto. “Tom Jobim também retirava os excessos de notas e acordes, criando acordes quase depenados”, exemplifica. Ele lembra que tal atitude chega à emissão muito peculiar, ao mesmo tempo muita ritmada, ligada à célebre batida do violão de João Gilberto. “A história da valorização rítmica era para a renovação do samba, então muito passional graças ao samba-canção”, justifica Tatit.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Para o papa da bossa nova o samba autêntico tem de ter este aspecto, como no início, na época de Noel Rosa, fizeram Orlando Silva e outros que o influenciaram. “Em vez do surdo, o tamborim que João faz com o próprio violão”, explica Luiz Tatit, justificando o fato de, desde então, cantores e cantoras passarem a imitar João Gilberto. “Nara Leão, por exemplo, só se propôs a ser cantora por causa de João, depois dele. Ela não tinha voz para tal”, recorda. Tatit destaca que foi também a senha para que os compositores começassem a cantar a própria obra. “Chico Buarque jamais cantaria se não houvesse João Gilberto”, afirma. “Depois de João não apareceram mais cantores. Daí as mais de três décadas em que só surgiram cantoras. A exceção é Ney Matogrosso. Na verdade, os compositores é que passaram a cantar”, salienta Tatit.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Quem melhor incorporou o estilo de João? “A questão é a triagem da bossa nova que, de tempos em tempos, quase vira uma questão estética”, vai adiante o professor. Ele cita o exemplo do projeto Acústico MTV, que resultou em discos de voz e violão de ídolos pop como Rita Lee (que gravou um inclusive intitulado &lt;em&gt;Bossa’n’roll&lt;/em&gt;) e Lulu Santos, além de Jorge Benjor e Gilberto Gil, entre outros. “É um gesto bossa nova, que de tempos em tempos temos de ter. Isso foi incorporado na nossa cultura e volta e meia alguém faz assim. Cazuza é um exemplo em &lt;em&gt;Faz parte do meu show&lt;/em&gt;”.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;“João Gilberto e a bossa deixaram isso como reflexão. Toda vez que há processo de decantação, o gesto bossa nova aparece. Hoje, por exemplo, Fernanda Takai é fruto direto da maneira de cantar do João e da Nara Leão, a quem ela dedicou o disco Onde brilhem os olhos seus”, explica Tatit. Para o professor, João nunca deixou de aprofundar sua proposta bossa nova inicial. “Ele foi radicalizando a experiência até quase desaparecer a emissão. Nesse sentido, o João dos anos 1990 e mesmo do novo século é mais interessante que o da bossa nova. Aliás, ele foi cantando cada vez melhor. A idade, neste caso, me parece um detalhe irrelevante, bastaria ele mudar o tom”, garante ao admitir que o cantor baiano está diminuindo o volume de voz, deixando até de emiti-la para chegar ao silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;“Ele nunca abandonou o projeto até hoje. Isto é excepcional”, ressalta Tatit, lembrando que quando os shows se tornaram verdadeiros espetáculos de pirotecnia, João vai para o palco, senta com o violão e canta com o voz desaparecendo, atraindo o mesmo número de pessoas que os grandes espetáculos. “É um fenômeno brasileiro. Não há em outra nação algo parecido, nem que seja com o piano”, afirma. Já as influências internacionais no canto de João Gilberto (Chet Backer, por exemplo) foram importantes talvez num primeiro momento (sobretudo o cool jazz), mas a singularidade obtida nos anos seguintes, garante Tatit, pouco têm a ver com essas influências. “Na bossa nova não há improvisação (algo essencial no jazz), por exemplo. Não há nada no mundo parecido com João Gilberto”.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;&lt;strong&gt;O violonista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;João Gilberto é uma totalidade. Pode-se até avaliá-lo por partes (canto, violão e repertório), mas nenhuma delas se desvencilha do todo. A conclusão é do violonista clássico Turíbio Santos, atual presidente da Academia Brasileira de Música (ABM). “A musicalidade de João é tão extraordinária, que não seria ele se fôssemos avaliá-lo apenas pela batida do violão”, justifica. “João tem a harmonia e a polifonia, encontrada só em grandes violonistas acompanhadores. A escolha do repertório dele, por exemplo, é de uma inteligência incrível. Ele dá para a gente o que ele recriou com o compositor original. A música sai da voz dele já como do autor e dele”, avalia Turíbio.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Para o violonista, a dicção de João Gilberto revela que ele estuda profundamente a música. “Não há palavras e nem notas ao léu. A capacidade de concentração dele é tamanha que cada palavra é dita com uma atenção incrível. Não consigo ouvir João Gilberto sem prestar atenção. Ele nunca pode ser música de fundo”, diz o violonista clássico que certa vez fez um exercício musical a partir do cantor. “Botei o disco dele para tocar e saí tirando os acordes, minuciosamente, para entender o fenômeno. E não consegui”, revela Turíbio Santos, salientando o aspecto imprevisível da obra de João. “Teria de registar tudo em computador”, pondera, admitindo que os imprevistos é que dão a graça à música joão-gilbertiana.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Já a escola de violão de João Gilberto – e olha que o instrumento é importante na música brasileira desde sempre – é única, na opinião do também violonista. “Ele recriou o violão dentro da música brasileira. Alguns antes dele faziam acompanhamentos preciosos, lindos. Como Roberto Nascimento, que era muito meticuloso”, recorda. “Ele pega isso e acrescenta o imprevisto”, reconhece. Para Turíbio, quando ele estuda muito a interpretação de um clássico, a música acaba ficando gelada. Daí a importância do imprevisto. Eu não crio tensão ou surpresas. Essa é a beleza de tocar, para você e para o público”, revela o violonista.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Certa vez, João ligou para Turíbio para fazer uma de suas já famosas brincadeiras. “Mas acho que não deu certo comigo”, diverte-se. Segundo narra, ao telefone, com a voz característica, João Gilberto solicitava que ele afinasse o seu violão. “João, eu sou como você. Entendo de tocar, não de afinar violão”, respondeu Turíbio Santos, esperando que João desligasse o telefone na cara dele. Para surpresa do violonista, os dois ficaram uma hora conversando. A exemplo de outros artistas, Turíbio coleciona casos pitorescos envolvendo João Gilberto, ao telefone ou ao vivo.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;A escola do violão joão-gilbertiano tem continuidade, na opinião dele, nos também baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, fãs que compreenderam a capacidade da tríplice aliança violão, voz e público. “A exemplo de João, ambos mobilizam público só com violão nas mãos”. “Tom Jobim sempre foi a grande referência do Brasil lá fora como músico, mas o cantor sempre foi João Gilberto. Ele é um todo”, conclui o violonista, advertindo que radical como o músico brasileiro ele conheceu no meio apenas o pianista italiano Arturo Benedetti Michelangeli, que fez o público do Teatro Municipal do Rio de Janeiro esperar por mais de uma hora e meia, até que os funcionários da casa colocassem o instrumento na posição que havia solicitado em contrato.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;&lt;strong&gt;O compositor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como compositor, João Gilberto é tão original quanto cantor e violonista. A constatação é do também violonista Juarez Moreira, que gravou ao lado da cantora Ithamara Koorax o único songbook do pai da bossa nova disponível no mercado fonográfico mundial. Trata-se de &lt;em&gt;Ithamara Koorax &amp;amp; Juarez Moreira – Bim Bom – The complete songbook João Gilberto&lt;/em&gt;, lançado inicialmente nos Estados Unidos, Europa, Japão, pelo selo Motema Music, e, posteriormente, no Brasil. “A música de João tem todo um conteúdo brasileiro e nordestino. Muitos antes de virar moda, ela já usava os ritmos brasileiros genuínos, de maneira espetacular e totalmente original”, atesta o violonista, salientando que a grande referência do compositor João Gilberto é o Brasil.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Ao trazer à tona a criação de João Gilberto que acabou relegada a segundo plano, injustamente, Ithamara Koorax fugiu da imitação pura e simples do jeito singular de João cantar, como tantos já fizeram. Para ela, ao ouvir uma canção como &lt;em&gt;Bim bom&lt;/em&gt;, gravada pelo autor em 1958, como lado B do 78 rotações que tinha &lt;em&gt;Chega de saudade&lt;/em&gt; no lado principal, dá para perceber que a estética da bossa nova já estava inteira ali. “Chega de saudade era avançada para a época, chocou todo mundo. Mas o minimalismo de &lt;em&gt;Bim bom&lt;/em&gt; ainda era muito mais avançado. Muita gente preferiu fingir que não tinha ouvido, porque realmente não conseguiu entender”, repara.&lt;/p&gt;&lt;p style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Segundo ela, até hoje tem gente que não compreendeu a obra do compositor. “Se a cabeça do João não funcionasse na base do &lt;em&gt;Bim bom&lt;/em&gt;, não teria existido a concepção que ele aplicou às músicas de Tom Jobim. Ou seja, não teria existido a bossa nova. Pelo menos não do jeito que a concepção estética de João Gilberto a moldou”, justiça Ithamara Koorax. “O grande desafio para a gente foi fazer no disco o mesmo que ele faz na essência: fazer o difícil parecer simples, fácil. Fazer o que é complexo soar descomplicado, natural. Não bastasse isso, ainda é preciso ser sutil, cantar suavemente, frasear de forma criativa, lidar com alterações rítmicas e sincopado, tudo isso ao mesmo tempo numa fração de segundos. Nem dá tempo de raciocinar. Ou você sabe fazer ou não sabe”, ensina a cantora. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; color: rgb(76, 78, 76); font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; margin-top: 0.5em; margin-bottom: 0.9em; "&gt;Do Estado de Minas&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-6224627311372352142?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/6224627311372352142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=6224627311372352142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/6224627311372352142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/6224627311372352142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/06/raizes-da-bossa-nova.html' title='Raízes da Bossa Nova'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/ObGGjcyq2uM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-4255129204591121385</id><published>2011-06-09T12:13:00.000-07:00</published><updated>2011-06-09T12:18:20.066-07:00</updated><title type='text'>Financiamento Cultural - Abrindo a possibilidade dos sonhos</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 13px; font-size: small; "&gt;&lt;table width="527" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" class="textoTimes14" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-weight: normal; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; line-height: 17px; "&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top"&gt;&lt;span class="textoArial10_laranja" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 11px; font-style: normal; font-weight: bold; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(110, 110, 110); text-decoration: none; "&gt;&lt;strong&gt;publicado originalmente no &lt;a href="http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=955"&gt;Le Monde Diplomatique Brasil&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALTERNATIVAS&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top" class="textoArial18" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 20px; font-style: normal; font-weight: normal; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; "&gt;&lt;strong&gt;Financiamento cultural sem comprometer a autonomia&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top"&gt;&lt;img src="http://diplomatique.uol.com.br/interf/spacer.gif" width="1" height="12" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" class="textoTimes14" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; line-height: 17px; "&gt;&lt;p class="textoTimes12" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; line-height: 17px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;i&gt;Plataformas de crowdfunding, começaram a se espalhar pelo Brasil desde o início deste ano. A ideia nada mais é do que a reinvenção contemporânea da famosa vaquinha, só que desta vez baseada na internet e destinada a bancar projetos culturais indepentes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;i&gt;&lt;img src="http://diplomatique.uol.com.br/interf/spacer.gif" width="1" height="12" /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="left" valign="top" class="textoTimes12Autor" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 11px; font-weight: normal; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; font-style: italic; "&gt;por Lucas Pretti&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top"&gt;&lt;img src="http://diplomatique.uol.com.br/interf/spacer.gif" width="1" height="15" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td valign="top" class="textoTimes14" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 13px; font-style: normal; font-weight: normal; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; line-height: 17px; "&gt;&lt;p class="textoTimes14" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 15px; font-style: normal; font-weight: normal; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; line-height: 17px; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center; font-size: 15px; "&gt;&lt;img alt="" src="http://diplomatique.uol.com.br/upload/editor/images/crossfunding_site.jpg" style="width: 350px; height: 228px; " /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Dinheiro é sempre o problema dos produtores culturais, seres estranhos estes – afinal, quem mais sente prazer ao tentar o equilíbrio (talvez) impossível entre manifestação artística genuína e viabilidade comercial? Até pouco tempo, havia no Brasil três saídas para o problema “quem banca a minha arte?”, todas com algum nível de contradição: ficar atento aos editais públicos (migalhas do orçamento distribuídas a alguns poucos felizardos); convencer empresas a reverter parte de seus impostos via leis de incentivo fiscal (e submeter o projeto aos interesses da marca); ou “empreender” (o que, em muitos casos, significa “vender cerveja no bar do teatro para produzir a peça”). Tudo muito duro e absolutamente ligado à sorte de ser escolhido por comissões duvidosas, ter amigos ou parentes influentes nos departamentos de marketing ou atrair alguns bacanas para comprar a cerveja salvadora.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Mas eis que veio a internet, tempos estranhos estes – afinal, quando mais houve tanta semelhança entre questionar e pertencer ao sistema? Ter uma ideia relevante, conseguir espalhá-la pelos nichos de interessados no assunto e falar, falar, falar, foi a possibilidade que a sociedade em rede proporcionou aos produtores culturais. A febre recente no Brasil dos sites de crowdfunding mostra que o futuro e a garantia das produções brasileiras independentes (talvez) estejam exatamente na comunicação entre pessoas em rede.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;A tradução literal de “crowdfunding” é “financiamento pela multidão”. Lógica simples, nada mais que a reinvenção contemporânea da vaquinha. Se cada um de nós tem R$ 50, juntos podemos ter milhares de reais. Desde o início do ano, mais de vinte sites brasileiros se propõem a intermediar o contato, a vaquinha, entre criadores de projetos e a multidão financiadora.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Com exemplos fica mais fácil entender. A jornalista paulistana Natália Garcia, de 27 anos, concebeu o projeto &lt;em&gt;Cidades Para Pessoas&lt;/em&gt;, no início de 2011, depois de pesquisar e militar durante quatro anos pela causa da mobilidade urbana e o uso massivo de bicicletas como meio de transporte em metrópoles. Ela vislumbrou a apuração profunda e a produção de dossiês-reportagem com as experiências de doze cidades do mundo na busca por um convívio pacífico da população com os carros, sem privilegiar as máquinas – e quanto isso poderia servir de exemplo, inspiração e projeto para o “desplanejamento” de São Paulo. Contatou então o urbanista dinamarquês Jan Gehl, responsável pelo redesenho de Copenhague e diversas outras metrópoles pelo mundo, e fechou, a partir dos critérios do especialista, a lista dos destinos, da qual constam, por exemplo, Roterdã e Cidade do México. O projeto duraria doze meses, um mês de vida e pesquisa em cada cidade, e consumiria R$ 25 mil – gastos reduzidíssimos, prevendo hospedagem solidária e máxima economia com voos e trens locais.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Natália poderia seguir um dos três caminhos tradicionais da produção cultural. Detalharia nome, objetivo geral, objetivos específicos, metas, justificativa, cronograma, acessibilidade, democratização do acesso, contrapartidas, orçamento etc. etc. etc. e submeteria tudo a meses de espera e mínimas chances de aprovação em editais públicos; faria a peregrinação entre empresas para convencer gente não tão interessada em repensar o desenvolvimento das cidades brasileiras e em associar a marca a algo que não geraria lucro nem teria visibilidade; ou tentaria o tal “empreendimento individual”, quase inviável neste caso: teria de vender cerveja demais...&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Ela preferiu apostar em dois estudantes de administração de empresas, Diego Borin Reeberg e Luís Otávio Ribeiro, que preparavam a estreia da plataforma Catarse (catarse.me), hoje a mais antiga (tem quatro meses) e mais bem-sucedida iniciativa brasileira de crowdfunding. A dupla reproduziu no país o modelo inaugurado pelo site Kickstarter (kickstarter.com), que em abril completou dois anos de atividades nos Estados Unidos, e a realização de mais de 2 mil projetos com US$ 40 milhões arrecadados. Natália, então, produziu um vídeo apresentando seu &lt;em&gt;Cidades Para Pessoas&lt;/em&gt;, e espalhou pela rede a tal ideia de viajar doze cidades e trazer soluções para São Paulo. Para isso, precisaria da ajuda voluntária de internautas, que poderiam doar qualquer quantia. O projeto só daria certo caso conseguisse, em três meses de campanha, juntar os R$ 25 mil. Caso contrário, os financiadores teriam o dinheiro devolvido.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Se tentarmos adivinhar pelas postagens no Facebook, neste momento a jornalista Natália Garcia deve estar pedalando por alguma ciclovia de Copenhague, isso se já não partiu para Oslo, o segundo destino da empreitada. Em noventa dias, ela levantou os R$ 25 mil e realiza agora, com independência absoluta, um dos projetos de sua vida – e que se tornou o primeiro grande &lt;em&gt;case&lt;/em&gt; brasileiro de crowdfunding. Um trabalho jornalístico de interesse público indiscutível, financiado pelas pessoas, que só puderam se conhecer e colaborar porque estavam conectadas em rede.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;&lt;strong&gt;Não é só bom coração&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Dizendo assim, parece que todos os problemas estão resolvidos. Basta algum trabalho de divulgação na internet e, pronto, há dinheiro para qualquer coisa. Pura ilusão, ainda bem. Há duas características comuns entre os projetos que conseguiram se viabilizar via crowdfunding no Brasil, um país de cultura colaborativa por natureza, sem dúvida, mas também bastante desconfiado quando o assunto é dar dinheiro para pessoas desconhecidas. A primeira é mesmo o interesse público, a quantidade de pessoas que se beneficiaria com a realização do projeto e a importância moral de financiá-lo. O &lt;em&gt;Cidades Para Pessoas&lt;/em&gt; é um exemplo, assim como o projeto Morar, do Coletivo Garapa, que pretende realizar, com R$ 16 mil, uma publicação e um blog com registros fotográficos dos moradores e dos escombros dos edifícios São Vito e Mercúrio, no centro de São Paulo, desocupados e em processo de demolição, num projeto discutível da prefeitura paulistana.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;A segunda característica é a dificuldade que o dono da ideia teria em tirá-la do papel pelas vias tradicionais. Quanto mais improvável, mais o senso de caridade entra em jogo. Costumam comover apoiadores, pequenos empreendimentos pessoais como editar um livro, reformar um teatro, gravar e prensar CDs de música, fazer um filme. Quanto mais independência, quanto menos possibilidades, mais chance. Quando, por exemplo, a artista plástica Maíra das Neves poderia planejar que muitas pessoas a ajudariam, com R$ 5 mil, a mobiliar seu ateliê, no Rio de Janeiro, com apenas 1 m&lt;sup style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; font-style: normal; line-height: normal; font-weight: bold; font-variant: normal; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; "&gt;2&lt;/sup&gt;, mas um pé-direito muito alto?&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Todas as plataformas de crowdfunding funcionam com a lógica da contrapartida. Cada quantia doada vale uma recompensa ao doador, que passa também a interagir e integrar, de certa forma, o projeto. O Coletivo Garapa promete imprimir fotos e dar várias cópias do jornal aos patrocinadores. Já Natália Garcia vai produzir boletins semanais sobre a aventura nas doze cidades, e dar o livro completo ao final de um ano. E o Movimento Elefantes, coletivo de &lt;em&gt;big bands&lt;/em&gt; paulistas que pediu R$ 1.980 para prensar CDs, vai enviar para a casa dos mecenas um álbum autografado pelas dez bandas. Isso torna a relação limpa, transparente. Trata-se sempre de empreendimentos privados, com interesse específico. Se você resolver apoiar, recebe algo em troca, como numa transação comercial tradicional. Senso de justiça muito bem-vindo num tempo em que tanto dinheiro público é usado para produções privadas, a maior aberração da nossa Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) que, em geral, acaba favorecendo o marketing individual em detrimento da necessidade coletiva.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Não é apenas assim em países como os Estados Unidos, em que a prática do crowdfunding não é mais novidade. Claro que o interesse público e a dificuldade de viabilizar entram na conta e na tomada de decisão sobre apoiar ou não um projeto. A diferença é que, por lá, já se desenvolveu um sentimento que no Brasil ainda começa a tomar forma, pelo menos enquanto a tela do computador é intermediária: ajudar por ajudar, de graça, sem nada em troca, apenas pelo prazer de ver alguém feliz realizando seu projeto. Ao escolher a quantia a ser doada, é possível optar por não respeitar a lógica da contrapartida e simplesmente destinar o dinheiro. Toda a lógica da cultura digital, da vida em rede, em comunidades, é baseada nesse tipo de confiança e ajuda mútua.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Foi com esse intuito que o Kickstarter nasceu, em abril de 2009, em Nova York, pela mão de três jovens americanos – esse tipo de “empreendedor &lt;em&gt;hype&lt;/em&gt;” que nasce às pencas no mundo pós-Google, pregando a flexibilidade no trabalho, a criatividade, a alegria e muita grana no final do mês, sem atropelar ninguém (ou sem ninguém perceber o atropelamento). Eles inauguraram o modelo de negócio. Uma parceria com a Amazon Payments garante a segurança das transações, que rende 5% do total para os donos (e 95% para os autores de projetos).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;As plataformas de crowdfunding brasileiras também não proliferam à toa. É um nicho de negócio muito lucrativo, sob a lógica de intermediação há muito estabelecida pela internet, em que o intermediário não precisa acumular tanto dinheiro nem explorar seus clientes (como fazem as gravadoras, editoras, agências e outros mal-intencionados no mercado tradicional). Ganham todos. O dono da ideia tem o projeto realizado. Os patrocinadores recebem algo útil em troca, e dormem tranquilos por terem ajudado alguém de boa-fé. E os donos do site recebem os 5% de taxa administrativa em agradecimento à hospitalidade – afinal, foi na “casa” deles que as duas pontas da produção (projeto e financiadores) se conheceram. A Estante Virtual (estantevirtual.com.br), site que possibilita aos sebos a venda de livros por preços baixíssimos, era até então o melhor exemplo brasileiro desse negócio típico da cultura digital. Para que enriquecer se eu posso apenas facilitar a vida de muita gente e viver bem? É, sim, um rompimento com a visão de mundo do capitalismo pré-internet.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;&lt;strong&gt;Homo ludens&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Em 2010, o escritor e &lt;em&gt;publisher&lt;/em&gt; norte-americano Craig Mod já tinha escrito e diagramado o livro &lt;em&gt;Art space Tokyo&lt;/em&gt;, um guia de arte na capital japonesa; faltava imprimir e distribuir. Menos por altruísmo que pelo interesse de ter seu projeto realizado, ele fez um estudo detalhado de como se dar bem em sites de crowdfunding, tendo como cobaia ele mesmo. Terminou por entender a lógica do comportamento de internautas quando diante de um projeto. E descobriu a palavra mágica: jogo.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Segundo a teoria de Mod, publicada em bit.ly/craigmod, a primeira regra é não deixar o orçamento do projeto alto demais. Isso traz a sensação de que o autor está buscando mais vantagens pessoais do que realmente a viabilização de sua ideia. Claro que o custo é relativo e depende muito das proporções do projeto. A recomendação é seguir o bom senso e a razoabilidade.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;A segunda regra é respeitar o que a revista &lt;em&gt;Wired&lt;/em&gt;já postulava em março de 2007, com a capa “Get Naked” (“Fique Nu”), cuja reportagem principal discutiu a necessidade de transparência total entre empresas, instituições e pessoas nas relações pela internet. Ou seja, não mentir. Se o orçamento é R$ 10 mil, é recomendável abrir os gastos, mostrar as planilhas, mesmo que nelas esteja o valor do lucro pessoal. Quem navega pela cultura digital não vê problema nenhum nisso. A doação é mais provável quando o doador sabe exatamente onde seu dinheiro vai parar. (E isso vale para todas as esferas da sociedade em rede, política, trabalho, relações pessoais etc., mas é outra discussão).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;A terceira regra diz respeito à quantia doada por cada apoiador. Antes de formatar o seu, Craig Mod pesquisou detalhes dos últimos trinta projetos bem-sucedidos no Kickstarter e identificou um traço comum. A maioria das doações foi de US$ 50 (23% do total), seguidas por US$ 100 (16%), depois US$ 500 ou US$ 25 (9% cada). Metade dos orçamentos dos projetos veio de pessoas doando essas quantias, levando à conclusão que se pode esperar muitos doando quantias pequenas (US$ 25 ou US$ 50) e, alguns, quantias grandes (US$ 100 ou US$ 500). Pouquíssimos escolheram doar valores muito baixos ou muito altos. Adaptar o orçamento a esse comportamento foi um cuidado que o escritor teve.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;A última percepção de Mod talvez seja o centro de toda a questão. Cada autor de um projeto de crowdfunding pode escolher o período durante o qual as doações podem ser feitas, ou seja, quanto tempo cada campanha vai durar. Ele optou por apenas quatro semanas – exatamente por intuir a lógica do jogo. Nas duas primeiras semanas, o gráfico do dinheiro que entrou foi muito ascendente, atingindo US$ 15 mil rapidamente. Na terceira semana o ritmo praticamente congelou, para, então, na última, voltar a crescer e atingir o total de US$ 25 mil que o escritor havia pedido no início. A conclusão de Mod é que a perspectiva do jogo, da gincana, do tempo que vai esgotar, estimula as pessoas a doar, como se fosse uma tarefa a cumprir, uma competição a vencer. Tanto que, no texto em que descreve a experiência, ele afirma que, se pudesse refazê-la, tentaria captar os US$ 25 mil em três semanas, uma a menos. É mais incendiário, mais urgente. “Em crowdfunding, campanhas curtas são mais eficientes”, diz.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Quando se fala em cultura contemporânea baseada em redes digitais é preciso ter em mente que se fala em revolução. A perspectiva do mundo conectado e da velocidade de comunicação, interação, troca, construção coletiva, fazem delirar qualquer futurólogo &lt;em&gt;hippie&lt;/em&gt; dos anos 60, que lutava por liberdade e por uma cultura planetária interconectada. Qualquer aparelho celular, hoje, pode fazer ligações via Skype, utilizando redes Wi-Fi e ignorando as redes de telefonia celular. Na própria essência do aparelho, do produto, está sua destruição. Esse tipo de contradição é a materialização da contracultura sessentista.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;O crowdfunding é mais uma cor desse delírio coletivo que a internet causa por definição, mesmo com tantas empresas e governos querendo controlar o incontrolável e lucrar como se fazia há vinte anos. O mundo em rede serve para questionar, expandir, testar os limites da ordem. Em entrevista ao projeto Produção Cultural no Brasil (producaocultural.org.br), o produtor Cláudio Prado, coordenador do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, resume o que chama de atitude cultural pós-rancor: “A internet abre horizontes, possibilidades. Você vê coisas acontecendo, se estimula e estimula outros. Este é o desbunde. Eu vejo todos os dias gente com sonhos. Não tinha gente com sonhos até há pouco tempo. O sonho era arrumar um bom emprego, um bom salário”.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt;Na produção cultural brasileira, o crowdfunding abriu um quarto caminho, quase absolutamente puro, para levantar dinheiro e materializar ideias improváveis. Abriu a possibilidade do sonho.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-size: 15px; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0); "&gt;&lt;strong&gt;Plataformas brasileiras de crowdfunding&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;strong&gt;Geral&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.catarse.me/" style="text-decoration: none; "&gt;www.catarse.me&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.benfeitoria.com/" style="text-decoration: none; "&gt;www.benfeitoria.com&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.movere.me/" style="text-decoration: none; "&gt;www.movere.me&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;strong&gt;Projetos culturais&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.multidao.art.br/" style="text-decoration: none; "&gt;www.multidao.art.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.incentivador.com.br/" style="text-decoration: none; "&gt;www.incentivador.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.produrama.com.br/" style="text-decoration: none; "&gt;www.produrama.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;strong&gt;Outros&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.embolacha.com.br/" style="text-decoration: none; "&gt;www.embolacha.com.br &lt;/a&gt; &lt;strong&gt;(música)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.queremos.com.br/" style="text-decoration: none; "&gt;www.queremos.com.br&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;(shows)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;a href="http://www.wacawaca.com.br/" style="text-decoration: none; "&gt;www.wacawaca.com.br&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;(games)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="textoTimes12Autor" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 15px; font-weight: normal; font-variant: normal; text-transform: none; color: rgb(0, 0, 0); text-decoration: none; font-style: italic; line-height: 17px; "&gt;Lucas Pretti&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 15px; "&gt;Jornalista, ator e produtor cultural, integrante da &lt;a href="http://www.casadaculturadigital.com.br/" style="text-decoration: none; "&gt;Casa de Cultura Digital &lt;/a&gt;em São Paulo / SP&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-4255129204591121385?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/4255129204591121385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=4255129204591121385' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/4255129204591121385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/4255129204591121385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/06/publicado-originalmente-no-le-monde.html' title='Financiamento Cultural - Abrindo a possibilidade dos sonhos'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-3021449272930821649</id><published>2011-06-09T12:10:00.000-07:00</published><updated>2011-06-09T12:10:48.997-07:00</updated><title type='text'>Egberto Gismonti e John McLaughlin - Frevo -  Heineken Concerts 94 - São...</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/e-zUM2jPy2Y?fs=1" frameborder="0" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-3021449272930821649?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' 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href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/9126651822670048850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=9126651822670048850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/9126651822670048850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/9126651822670048850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/05/la-vem-maria.html' title='Lá Vem Maria'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-7272195544299462135</id><published>2011-01-19T05:17:00.000-08:00</published><updated>2011-06-09T08:45:13.222-07:00</updated><title type='text'>O Lado Bom de Antonina</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbl9C2I-eI/AAAAAAAADKk/czERzHUkEE0/s1600/barreado.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbl9C2I-eI/AAAAAAAADKk/czERzHUkEE0/s400/barreado.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563887226561559010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTblc7YIwzI/AAAAAAAADKc/ezjPxFnVXzU/s1600/fachadas01.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTblc7YIwzI/AAAAAAAADKc/ezjPxFnVXzU/s400/fachadas01.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563886674800853810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTblRdfYJbI/AAAAAAAADKU/j7nw2NrNxkE/s1600/DSC_0041.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTblRdfYJbI/AAAAAAAADKU/j7nw2NrNxkE/s400/DSC_0041.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563886477799597490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbk9-A934I/AAAAAAAADKM/aqAwhPOuUH4/s1600/Pita.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbk9-A934I/AAAAAAAADKM/aqAwhPOuUH4/s400/Pita.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563886142933032834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbk31bBT-I/AAAAAAAADKE/Zbp05df60fE/s1600/cidade%2Bde%2Bantonina.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 248px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbk31bBT-I/AAAAAAAADKE/Zbp05df60fE/s400/cidade%2Bde%2Bantonina.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563886037547175906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbkvBab21I/AAAAAAAADJ8/uRdpqGOlaLE/s1600/IMG_2918.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbkvBab21I/AAAAAAAADJ8/uRdpqGOlaLE/s400/IMG_2918.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563885886147124050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-7272195544299462135?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/7272195544299462135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=7272195544299462135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7272195544299462135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7272195544299462135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/01/blog-post.html' title='O Lado Bom de Antonina'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TbeaEkhCbxk/TTbl9C2I-eI/AAAAAAAADKk/czERzHUkEE0/s72-c/barreado.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-1131645346073835683</id><published>2011-01-19T05:15:00.000-08:00</published><updated>2011-01-19T05:16:22.421-08:00</updated><title type='text'>Pedra dos mitos</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, Arial; "&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'book antiqua', palatino; font-size: x-large; "&gt;A hora mais pesada é aquela&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Que ainda vem&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Enquanto eu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Sísifo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Heráldico&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Da pedra e da montanha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Sopro letras de sabão&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;A hora mais pesada será ainda&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Mais adiante&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Porquanto eu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Diógenes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Estóico&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Sem lupa e sem livro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;A lâmpada apagada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;A hora mais pesada é a que está por vir&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Antes que eu&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Verdugo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Wakizashi&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;No ventre e na garganta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span  &gt;Corte a última palavra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-size: 12px; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-1131645346073835683?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/1131645346073835683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=1131645346073835683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/1131645346073835683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/1131645346073835683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/01/pedra-dos-mitos.html' title='Pedra dos mitos'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-4787063949723321698</id><published>2011-01-19T05:14:00.001-08:00</published><updated>2011-01-19T05:14:48.486-08:00</updated><title type='text'>POESIA</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, Arial; font-size: 12px; "&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;poesia deve ser isso:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;o que ferve e congela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;o que assombra e desanuvia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;o que apaga&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;e incendeia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;acena&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;à cena vazia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;poesia deve ser isso:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;o que amálgama e fere&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;anátema do frio&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;o que crema e espalha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;amassa, esfarela,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;e entra no cio&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;poesia deve ser isso:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;morfemas e lexias&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;qualquer sal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;um risco&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;de difundir&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;a via&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;quase&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span &gt;&lt;strong&gt;abissal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-4787063949723321698?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/4787063949723321698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=4787063949723321698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/4787063949723321698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/4787063949723321698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2011/01/poesia.html' title='POESIA'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-5829728962179699354</id><published>2009-02-10T10:12:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T10:16:00.925-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:180%;"  &gt;&lt;strong&gt;Nosso medo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:180%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Não usa sapatos novos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Nem assoma na janela&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O uivo de sete paredes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Ruas mal-iluminadas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Pedra assentada no ombro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O que espreita na lida&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Signo de nenhuma estrela&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Crucificada no erro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Em vestes corruptíveis&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Fala pelos cotovelos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Entre ossos e lama e aço&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Cerra olhos e punhos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Não tem a morte no rosto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Não oferece a outra face&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Ferro e fogo do verso&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Cálice de vinho e veneno&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Inverno de mitos sangrentos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Desperta mil vezes em cena&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;É uma montanha de pedra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Ciência e deuses no Olimpo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Rosário de cal e areia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Punhado de sal na têmpora&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O dia que ainda não veio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Barco na névoa espessa &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Cova rasa do julgamento&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;A linha de qual horizonte&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Minúcias de cal e areia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;São farpas e ferpas na unha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Estrada longa e estreita&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Reza pra todos os santos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Ferrugem no pó e nos pelos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O sangue de metal e fungos &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;A certeza de não sabermos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Em doze motes de cera&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Ferro de muros e cercas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;Arame em torno do punho&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:130%;"  &gt;O nosso medo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-5829728962179699354?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/5829728962179699354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=5829728962179699354' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/5829728962179699354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/5829728962179699354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2009/02/nosso-medo-nao-usa-sapatos-novos-nem.html' title=''/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-2695237462786197798</id><published>2008-02-08T14:32:00.000-08:00</published><updated>2008-02-08T14:33:38.747-08:00</updated><title type='text'>Palavras Mágicas</title><content type='html'>(segundo Nalungiaq/Esquimó)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos ancestrais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando pessoas &amp; animais viviam na terra,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma pessoa podia virar um animal se quisesse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e um animal podia virar um ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes eram pessoas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e às vezes animais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não havia diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos falavam a mesma língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele tempo as palavras eram mágicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente humana tinha poderes misteriosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma palavra dita ao acaso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;podia ter conseqüências estranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente ela ganhava vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o que as pessoas queriam que acontecesse, acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só o que era preciso era dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como explicar isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas eram assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(De "Shaking the Pumpkin", antologia de Jerome Rothenberg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: Rodrigo Garcia Lopes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: In Knud Rasmussen, The Netsilik Eskimos, Report of the 5th Thule Expedition, Copenhagen, 1931.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: “A xamateca Nalungiaq definia-se como “uma mulher comum”, tendo aprendido o poder das “palavras mágicas” (= poesia) com um tio, também xamã. O comum era não usar a fala ordinária e sim a linguagem dos xamãs, em que todas as coisas &amp; seres eram chamados por nomes diferentes do que eram conhecidos. A consciência esquimó é notável por sua compreensão do processo poético básico”. (Rothenberg, SP, 405) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;Texto extraído do blog 'Estúdio Realidade' (link aí do lado) do poeta  Rodrigo Garcia Lopes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-2695237462786197798?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/2695237462786197798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=2695237462786197798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/2695237462786197798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/2695237462786197798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2008/02/palavras-mgicas.html' title='Palavras Mágicas'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-7656169217010127688</id><published>2008-02-08T13:41:00.002-08:00</published><updated>2008-02-08T13:42:20.645-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://blogblogs.com.br/my/gadgets/fave?url=http://www.erlywelton.blogspot.com/' title='Adicionar aos Favoritos BlogBlogs' rel='alternate'&gt;&lt;img src='http://assets2.blogblogs.com.br/public/bb/images/gadgets/bbgad_fave_2.gif' alt='Adicionar aos Favoritos BlogBlogs'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-7656169217010127688?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/7656169217010127688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=7656169217010127688' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7656169217010127688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7656169217010127688'/><link rel='alternate' type='text/html' 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/&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;estóico&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;sem lupa e sem  livro&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a lâmpada apagada&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A hora mais pesada é a que está por vir&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes que eu&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Verdugo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Wakizashi&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No ventre e na garganta&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Corte a última palavra&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-3019594683848744905?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/3019594683848744905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=3019594683848744905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/3019594683848744905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/3019594683848744905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/12/pedra-dos-mitos.html' title='pedra dos mitos '/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' 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Get 'em @ &lt;b&gt;www.tudoparablogger.blogspot.com&lt;/b&gt;!&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-1345211367088223287?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/1345211367088223287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=1345211367088223287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/1345211367088223287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/1345211367088223287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/12/want-more-get-em-www.html' title=''/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-3973985810777142212</id><published>2007-10-15T15:11:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T16:35:01.326-07:00</updated><title type='text'>A maior de todas as mentiras é o mito</title><content type='html'>para Alice, Áurea e Estrela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;br /&gt;células y plasmas y ondas y genes&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;no crisol&lt;br /&gt;metais de eras em quantas dimensões&lt;br /&gt;no crisol&lt;br /&gt;todos os elementos hermeticamente iguais&lt;br /&gt;no crisol&lt;br /&gt;séculos y séculos y séculos levedando&lt;br /&gt;no crisol&lt;br /&gt;amadurecendo ao abrigo do ar y da umidade&lt;br /&gt;no entanto sem tir-te nem quar-te&lt;br /&gt;gases explodem regiões&lt;br /&gt;y o guardião nem sequer observa&lt;br /&gt;o homem desperto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;a explosão não acorda o homem&lt;br /&gt;a luz intensa de milhares de raios todos de uma vez quando amanhece o dia&lt;br /&gt;depois de uma longa viagem através do pesadelo&lt;br /&gt;não acorda o homem&lt;br /&gt;os sinais visíveis ainda estão indecifráveis&lt;br /&gt;entre montanhas de concreto y ferro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;as imagens aos fatos&lt;br /&gt;lendas y imagens soam mais graves&lt;br /&gt;acalentam o homem com a pedra do sono&lt;br /&gt;amortecem a vigília&lt;br /&gt;lendas aos fatos&lt;br /&gt;assim ninguém anda pelas águas&lt;br /&gt;pára o sol&lt;br /&gt;atravessa paredes&lt;br /&gt;lê o que deus escreve&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;qual a imagem “contida numa casca de avelã, brilha nos espaços infinitos”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;talvez o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aleph&lt;/span&gt; de *&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cantor louco"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(o indefensável&lt;br /&gt;leu)&lt;br /&gt;enquanto a ciência cavasse em grãos de areia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.&lt;br /&gt;então as imagens no longo sonho do homem que dorme&lt;br /&gt;o reflexo da lua no espelho d’água&lt;br /&gt;a crista do sol&lt;br /&gt;horizontes valem mais que os fatos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.&lt;br /&gt;o homem que dorme&lt;br /&gt;inventou segredos y lendas&lt;br /&gt;defuma a sua alma&lt;br /&gt;em fumaças de mil vidas&lt;br /&gt;defrontadas com a ilusão&lt;br /&gt;salvadora do eito&lt;br /&gt;o soma emancipado&lt;br /&gt;da idéia infinita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.&lt;br /&gt;o que se compreende está certo&lt;br /&gt;o homem velho é&lt;br /&gt;nenhum de(u)s conhecido&lt;br /&gt;o homem velho no crisol&lt;br /&gt;mal saberia o homem coletivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.&lt;br /&gt;o homem velho é consumista&lt;br /&gt;de todas as ilusões&lt;br /&gt;:nome pátria carro família&lt;br /&gt;y por isso diz não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.&lt;br /&gt;o novo é mutante&lt;br /&gt;cores fortes ou esmaecidas&lt;br /&gt;luz própria y radioativa&lt;br /&gt;expandir é a sua lida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.&lt;br /&gt;foi átomo saturniano&lt;br /&gt;prótons nêutrons mésons&lt;br /&gt;desatando o nó górdio&lt;br /&gt;entra e sai ano&lt;br /&gt;agora é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mutuna&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;luas azuis neve preta&lt;br /&gt;há sinais de neônio&lt;br /&gt;y &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o livro dos danados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;no capricho dos cometas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12.&lt;br /&gt;só imagens distorcidas&lt;br /&gt;só o cálculo preciso&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;phela&lt;/span&gt; elevado à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;phela&lt;br /&gt;o cheiro forte de mijo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;13.&lt;br /&gt;eis uma nova receita&lt;br /&gt;:velar é o segredo&lt;br /&gt;- ao velar se observa&lt;br /&gt;o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aleph &lt;/span&gt;sobre o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aleph&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;elevado à si mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.&lt;br /&gt;o fogo que&lt;span style="font-style: italic;"&gt; prometeu&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nem chega a ser sol&lt;br /&gt;é mais cal sobre o seu&lt;br /&gt;é mais sal sem iodo&lt;br /&gt;é mais&lt;br /&gt;frio&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;foi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.&lt;br /&gt;na curva&lt;br /&gt;paralela&lt;br /&gt;o infinito&lt;br /&gt;da janela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16.&lt;br /&gt;e a névoa&lt;br /&gt;indissipável&lt;br /&gt;sobre ela&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-3973985810777142212?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/3973985810777142212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=3973985810777142212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/3973985810777142212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/3973985810777142212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/maior-de-todas-as-mentiras-o-mito_15.html' title='A maior de todas as mentiras é o mito'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-5428631442468916458</id><published>2007-10-13T05:57:00.000-07:00</published><updated>2007-10-13T06:45:49.805-07:00</updated><title type='text'>Vã metáfora</title><content type='html'>&lt;font size="4"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Todo homem sua nos poros da palavra&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Toda mulher arrepia os pelos das palavras&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Esta é a diferença? &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Ou a diferença está na lâmina da terra nua? &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Ou na fécula da tribo?&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Ou na rêfrega das ruas? &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Os hormônios contam os dias, na mulher; &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;os feromônios dizem mais, a ambos? &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Cada palavra é um &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: arial; font-weight: bold;" lang="PT"&gt;&lt;font size="4"&gt;propósito&lt;br /&gt;de todas as pontes,&lt;br /&gt;paisagens de todas as terras,&lt;br /&gt;velas de todos os navios,&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;pirâmides sem nada dentro,&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;ruídos dos muros nos quintais,&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;naus que podem não voltar&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Bem onde a besta ruge&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;há horizontes de mortos-vivos&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;sob o inclemente sol fisiológico&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Erros de dados nas janelas&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;pestanejam nas salas abandonadas&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Erma sombra das palavras&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;sem lapso de memória&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;e sem lei&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;Corpo etéreo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;o mito vaza&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;dos sonhos&lt;br /&gt;para a quadra da vâ metáfora&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-5428631442468916458?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/5428631442468916458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=5428631442468916458' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/5428631442468916458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/5428631442468916458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/v-metfora.html' title='Vã metáfora'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-2917062613429896194</id><published>2007-10-09T04:54:00.000-07:00</published><updated>2007-10-09T04:56:46.803-07:00</updated><title type='text'>Um poema</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Apenas mais um&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;poema para salvar o mundo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;por isso fui buscar estrelas no inferno&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;vaguei por &lt;i&gt;Ararats &amp;amp; Himalaias&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;entornei o vinho envelhecido &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;em tonéis de chumbo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;clonei digitais e analógicas permutas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;escarrando sangue &amp;amp; bactérias&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;pelos fios da teia da antena&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;perfurando os olhos da cara &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;e decepando os dedos do medo os&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;dentes doentes, os duendes da palavra&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;porém&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;não dei a outra face ao facínora&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;não copiei as letras da tábua&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;e preparo as trombetas mais bestas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;para o início da raia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-2917062613429896194?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/2917062613429896194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=2917062613429896194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/2917062613429896194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/2917062613429896194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/um-poema.html' title='Um poema'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-7260200146903149004</id><published>2007-10-08T08:43:00.000-07:00</published><updated>2007-10-08T08:46:36.569-07:00</updated><title type='text'>No procênio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse tocar fogo no rabo do capeta&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse gorar os planos divinos e enrabar santos e anjos de uma vez&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse golpear com lâmina fina o ventre do céu&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse soltar minhas górgonas furiosas  para o gol do desempate&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse esticar o arco até o limite da sorte e olhar no centro dos olhos da medusa antes do gozo&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse vomitar na catacrese e mandar o mecenas à merda&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse assumir minha insignificância, declarar os nós na garganta, peidar númenos pressupostos e guilhotinar o self control&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse inverter o espelho, quebrar a face branca e enrugada da moral e uivar para qualquer uma das luas de saturno&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse tocar blues e jazz no meu violão de oito cordas ou cantar com meu piano exageradamente bêbado&lt;br /&gt;Talvez eu não devesse mumificar a musa e lamber estriquinina no fuzuê dessas tribos de geena&lt;br /&gt;Talvez, quando eu estiver vencido esta parada&lt;br /&gt;Tiver acertado o alvo&lt;br /&gt;sóbrio de poesia&lt;br /&gt;eu entre em cena&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-7260200146903149004?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/7260200146903149004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=7260200146903149004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7260200146903149004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/7260200146903149004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/no-procnio.html' title='No procênio'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-6421919966346037274</id><published>2007-10-07T19:49:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T19:55:13.002-07:00</updated><title type='text'>Premeditação</title><content type='html'>&lt;font face="arial" size="4"&gt;&lt;strong&gt;nunca quis céu&lt;br /&gt;apenas um pouco de fel&lt;br /&gt;do fígado de prometeu&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial" size="4"&gt;&lt;strong&gt;(o ambiente é uma biblioteca onde&lt;br /&gt;larvas arranham livros&lt;br /&gt;e traças e ratos e&lt;br /&gt;merda de barata&lt;br /&gt;e um poeta&lt;br /&gt;portador de várius-vírus&lt;br /&gt;mortais da palavra indeletável&lt;br /&gt;pesca versos sem anzol)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca quis céu&lt;br /&gt;apenas um pouco de fel&lt;br /&gt;do fígado de prometeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial" size="4"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial" size="4"&gt;&lt;strong&gt;(o carro não desce a rampa&lt;br /&gt;nesta imagem precisa&lt;br /&gt;e infatigável e intangível e mágica&lt;br /&gt;e o poeta nem é trem&lt;br /&gt;desgovernado na serra&lt;br /&gt;da palavra indeletável&lt;br /&gt;pesca versos sem anzol)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca quis céu&lt;br /&gt;apenas um pouco de fel&lt;br /&gt;do fígado de prometeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial" size="4"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial" size="4"&gt;&lt;strong&gt;(do alto a chama do sol&lt;br /&gt;é mais fria e as aves&lt;br /&gt;de malagouro gostam&lt;br /&gt;do amargo que escorre farto&lt;br /&gt;pelo ventre liso da fonte inesgotável&lt;br /&gt;da palavra indeletável&lt;br /&gt;do fígado de prometeu)&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-6421919966346037274?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/6421919966346037274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=6421919966346037274' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/6421919966346037274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/6421919966346037274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/premeditao.html' title='Premeditação'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-3801484525619736489</id><published>2007-10-07T19:21:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T19:24:40.351-07:00</updated><title type='text'>palavras difíceis</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fácil porque é comum&lt;br /&gt;mas minha urgência são as&lt;br /&gt;difíceis&lt;br /&gt;incomunicáveis urgências&lt;br /&gt;discando help me&lt;br /&gt;palavras&lt;br /&gt;verbos cheios de&lt;br /&gt;sujeitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;à crueldade&lt;br /&gt;dos pronomes&lt;br /&gt;pessoais&lt;br /&gt;oblíqua&lt;br /&gt;pabulagem&lt;br /&gt;quaderna&lt;br /&gt;de uma&lt;br /&gt;vogal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;restauro&lt;br /&gt;unidade mínima&lt;br /&gt;com som e signi&lt;br /&gt;ficado que pode,&lt;br /&gt;sozinha, constituir&lt;br /&gt;enunciado; forma&lt;br /&gt;livre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando é&lt;br /&gt;preciso&lt;br /&gt;apenas&lt;br /&gt;sentimento&lt;br /&gt;(quando refe&lt;br /&gt;rimos um verbo&lt;br /&gt;como amar, temos em&lt;br /&gt;mente não apenas&lt;br /&gt;o infinitivo, tomado&lt;br /&gt;aí como forma de citação,&lt;br /&gt;mas todas as demais formas&lt;br /&gt;da conjugação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;: uno:&lt;br /&gt;não sou&lt;br /&gt;só eu&lt;br /&gt;mas&lt;br /&gt;estou&lt;br /&gt;só&lt;br /&gt;- abstraídas&lt;br /&gt;as diferentes&lt;br /&gt;realizações&lt;br /&gt;(marcas flexionais)&lt;br /&gt;que possa apresentar -&lt;br /&gt;plastada por sobre&lt;br /&gt;o plasma&lt;br /&gt;a aura&lt;br /&gt;da palavra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;difícil impedir&lt;br /&gt;adrenalina&lt;br /&gt;feromônios&lt;br /&gt;cetona esteroidal&lt;br /&gt;hidroxilada&lt;br /&gt;[fórm.: C19H28O2] =&lt;br /&gt;testosterona&lt;br /&gt;porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;impossível palavra&lt;br /&gt;para o poema&lt;br /&gt;que precisa&lt;br /&gt;mais que palavra&lt;br /&gt;para ser&lt;br /&gt;poesia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-3801484525619736489?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/3801484525619736489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=3801484525619736489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/3801484525619736489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/3801484525619736489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/palavras-difceis.html' title='palavras difíceis'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-6767598569790281165</id><published>2007-10-07T19:07:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T16:40:06.209-07:00</updated><title type='text'>Ao despertar dos signos</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:arial;font-size:130%;"  &gt;&lt;strong&gt;Será necessária a queda do sol&lt;br /&gt;Marte explodindo sobre nova york&lt;br /&gt;Chuva de pedras da lua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão necessários mares fervendo&lt;br /&gt;O gelo dos árticos encobrindo céus&lt;br /&gt;Esfoliação da pele dos ritos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessário o sangue nas gruas&lt;br /&gt;A merda espalhada nos condomínios&lt;br /&gt;A praga de mil bestas rugindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessário plastificar o dia&lt;br /&gt;A unanimidade do grito no escuro&lt;br /&gt;Queimar as florestas nos meses pares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão necessárias moendas de carne&lt;br /&gt;Gases venenosos na superfície&lt;br /&gt;Baixar a cognição ao zero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessária a acidez dos planos&lt;br /&gt;Satanizar deuses e gênios&lt;br /&gt;Tornar cinza todo amarelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessário uivar novamente&lt;br /&gt;Estriquinina jogada na fonte&lt;br /&gt;Sacrificar todo ente in vitro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessário copiar os ossos&lt;br /&gt;Desfragmentar portas e janelas&lt;br /&gt;Ferir a noite permanentemente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessária a massa dos muros&lt;br /&gt;O inferno que faz suar muitos sonhos&lt;br /&gt;Acumular dejetos na mesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessário inventar tantos mitos&lt;br /&gt;Comer a alma atirada na lida&lt;br /&gt;A filosofia do ouro e do sal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão necessários caminhos tortos&lt;br /&gt;Pedra na fronte e no sapato&lt;br /&gt;Transpor palavras com sub-escrituras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão necessárias as dores alheias&lt;br /&gt;Ouvir o ruído da fome e da sede&lt;br /&gt;Incendiar cidades e&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:130%;"  &gt;&lt;strong&gt; aldeias &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:130%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Serão necessários alguns anos ainda&lt;br /&gt;O sangue vulcânico nas veias&lt;br /&gt;Engravidar a mulher do próximo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será necessário um punhal no pescoço&lt;br /&gt;Mais de três bailarinas nuas&lt;br /&gt;Fumar raiz de jurema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-6767598569790281165?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/6767598569790281165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=6767598569790281165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/6767598569790281165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/6767598569790281165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/ao-despertar-dos-deuses.html' title='Ao despertar dos signos'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-4102075127140317184</id><published>2007-10-07T07:26:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T07:30:14.939-07:00</updated><title type='text'>é hora de acordar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;é hora de acordar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inverno terá sido&lt;br /&gt;um lugar de amanhecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é hora de acordar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nós que estamos vivos&lt;br /&gt;de outra morte, não a nossa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é hora de acordar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pasto&lt;br /&gt;e repasto desta proverbial&lt;br /&gt;aurora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é hora de acordar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dactilóide&lt;br /&gt;as torres que ruíram&lt;br /&gt;um belo dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é hora de acordar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto o ar ainda mal&lt;br /&gt;se respira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é hora de acordar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ninguém assegura&lt;br /&gt;a segunda quadratura&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-4102075127140317184?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/4102075127140317184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=4102075127140317184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/4102075127140317184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/4102075127140317184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/hora-de-acordar-inverno-ter-sido-um.html' title='é hora de acordar'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7228234022385654176.post-2976573176766439415</id><published>2007-10-07T07:13:00.000-07:00</published><updated>2007-10-07T07:17:37.244-07:00</updated><title type='text'>é tarde demais</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;o filho do homem&lt;br /&gt;incendiou&lt;br /&gt;a lira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;tânagras sangram&lt;br /&gt;vexando&lt;br /&gt;em vênus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;quatuórviro qual&lt;br /&gt;pústula&lt;br /&gt;na vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;pouqüidade podre&lt;br /&gt;modorra&lt;br /&gt;nos resta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;a mofa ainda goga&lt;br /&gt;o ícone&lt;br /&gt;do tolo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;os deuses estiarão&lt;br /&gt;voltando&lt;br /&gt;pra casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde damais&lt;br /&gt;o mar ignorado&lt;br /&gt;dois ágios&lt;br /&gt;encava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;labaredas de sal&lt;br /&gt;derretem&lt;br /&gt;a chama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;o cão ladra, late&lt;br /&gt;o cãozinho&lt;br /&gt;cainha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é tarde demais&lt;br /&gt;o homem novo&lt;br /&gt;semelhante&lt;br /&gt;ao pai&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;Zona Desconhecida&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7228234022385654176-2976573176766439415?l=erlywelton.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://erlywelton.blogspot.com/feeds/2976573176766439415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7228234022385654176&amp;postID=2976573176766439415' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/2976573176766439415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7228234022385654176/posts/default/2976573176766439415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://erlywelton.blogspot.com/2007/10/tarde-demais.html' title='é tarde demais'/><author><name>Erly Welton Ricci</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='15' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IsmwWoed9Wk/Tc22GpPP4kI/AAAAAAAADnM/I46Uq5DVAow/s220/retrato%2Bz%25C3%25A9%2Beduardo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
